Na RDC, o setor agrícola contribui com cerca de 10% para o PIB e emprega aproximadamente 59% da população ativa. No país, onde as exportações continuam amplamente dominadas pelo setor mineiro e pelos hidrocarbonetos, a agricultura representa uma importante alavanca de diversificação económica.
A RDC pretende impulsionar as exportações de várias fileiras agrícolas prioritárias através de um mecanismo de financiamento apoiado pelo Reino Unido no valor de 25 milhões de dólares. A iniciativa foi o centro de uma reunião técnica realizada na segunda-feira, 4 de maio, em Kinshasa, entre Julien Paluku, ministro do Comércio Externo, e responsáveis da Rawbank, o principal banco comercial do país.
Segundo o comunicado oficial, este financiamento britânico visa “reduzir o risco” dos créditos concedidos aos produtores locais através da Rawbank. O objetivo é facilitar o acesso ao financiamento para os atores das fileiras de cacau, café, arroz, mandioca, milho e óleo de palma em várias províncias, incluindo Kivu do Norte, Tshopo, Congo Central, Mai-Ndombe, Kwilu e Equador, no âmbito de uma fase-piloto.
Na RDC, como na maioria dos países da África subsaariana, a agricultura continua a ser o “parente pobre” do financiamento bancário, sobretudo devido aos riscos associados, como a vulnerabilidade às condições climáticas, a falta de garantias, a informalidade das explorações e a fraca estruturação das cadeias de valor.
Segundo o Banco Central do Congo (BCC), os empréstimos bancários atribuídos aos setores da agricultura, pecuária, pesca e silvicultura atingiram apenas 187,8 mil milhões de francos (81 milhões de dólares) em 2024, o que representa apenas 0,8% do total dos créditos bancários, fixado em 23 346 mil milhões de francos (10 mil milhões de dólares) nesse ano.
Para Kinshasa, o desafio será transformar o mecanismo de financiamento anunciado com o Reino Unido em investimentos efetivos nas cadeias de valor agrícolas, num contexto marcado por constrangimentos logísticos e desafios de segurança.
Mercados a conquistar
Para além do financiamento, Kinshasa procura também reforçar a presença dos produtos agrícolas congoleses em vários mercados internacionais no âmbito da sua parceria com o Reino Unido. “O diretor comercial da Rawbank garantiu o apoio da instituição para ajudar a RDC a conquistar os mercados chinês, emiradense, britânico e norte-americano com a AGOA assegurada pelo Ministério do Comércio Externo”, refere o comunicado.
Esta abordagem deverá também contribuir para consolidar o desempenho recente do setor agrícola congolês nas exportações. No seu último relatório anual, a BCC indica que as exportações agrícolas da RDC geraram 519 milhões de dólares em 2024, quatro vezes mais do que em 2023 (119,8 milhões de dólares).
Este crescimento representa o nível mais elevado da última década, embora ainda corresponda apenas a 0,4% do total das receitas de exportação do país em 2024.
Na RDC, as fileiras do cacau e da madeira foram os principais motores das exportações agrícolas em 2024. “As exportações de madeira aumentaram 264,1%, impulsionadas pela forte procura do Quénia. Além disso, a melhoria do acesso da madeira congolesa ao mercado europeu, graças à implementação de sistemas de rastreabilidade e certificação florestal, facilitou as exportações. O cacau beneficiou igualmente da subida acentuada dos preços em 2024”, explica a BCC. Entre os outros produtos agrícolas de exportação destacam-se o café e a borracha natural.
Stéphan Assocle













Londres - Royaume-Uni - Sommet réunissant l'écosystème tech africain et les investisseurs internationaux à Londres.