A África Ocidental é o segundo maior importador de produtos lácteos do continente, depois da África do Norte. A dependência estrutural da sub-região em relação às importações representa uma oportunidade para os exportadores, sobretudo para aqueles que beneficiam de proximidade geográfica.
O Uganda e a Nigéria concluíram, em meados de dezembro de 2025, um acordo de comercialização de produtos lácteos, segundo informações divulgadas por vários meios de comunicação locais e internacionais. Estes indicam que Abuja se comprometeu a comprar 200.000 toneladas de leite em pó, por um valor estimado em 1 mil milhão de dólares norte-americanos, provenientes do país da África Oriental. No conjunto, trata-se do segundo caso documentado de comércio de produtos lácteos entre o Uganda e a África Ocidental.
No seu relatório sobre a indústria leiteira, publicado em maio de 2025, o Ministério das Finanças do Uganda salientou que o país exportou, em 2024/2025, cerca de 1,1 mil milhões de xelins ugandeses (aproximadamente 305.000 USD) em produtos lácteos para o Mali, que era então, nessa campanha de comercialização, o único país da África Ocidental a figurar na sua lista de clientes.
Antes do acordo com Abuja, Kampala também tinha o mercado senegalês em vista. Em 2023, o Ministério da Agricultura anunciou a sua intenção de concluir um acordo comercial com Dakar, mas até à data nada foi oficialmente anunciado, para além de uma cooperação técnica referida em janeiro de 2025, na sequência de um encontro em Kampala entre Mabouba Diagne, ministro senegalês da Agricultura, e Bright Rwamirama, seu homólogo responsável pela Indústria Animal no país da África Oriental.
As discussões entre as duas partes incidiram sobre quatro eixos estratégicos de cooperação, nomeadamente o desenvolvimento das infraestruturas de produção leiteira, a valorização dos sistemas cooperativos, as inovações tecnológicas na pecuária leiteira e o apoio aos criadores para uma produção sustentável e competitiva. Enquanto Kampala continua a esperar alcançar um acordo para os seus produtos, Dakar pretende inspirar-se na experiência ugandesa para estimular a produção local e reduzir a dependência das importações, que representam cerca de 50% das necessidades nacionais.
Oportunidades a aproveitar no mercado da África Ocidental
A par do Mali, o acesso ao mercado nigeriano reforça a presença do Uganda na sub-região da África Ocidental, que apresenta uma dependência estrutural das importações de produtos lácteos. A produção de leite fresco foi estimada em 5,01 milhões de toneladas, em média por ano, entre 2020 e 2024, de acordo com dados compilados pela FAO. No mesmo período, a organização indica que os países da região importaram, em média, 1,98 milhões de toneladas por ano de produtos lácteos (iogurte, manteiga, queijo, leite concentrado, natas, leite em pó, etc.), em equivalente leite, o que faz da região a segunda maior importadora de produtos lácteos do continente, depois da África do Norte.
No total, a fatura das importações de produtos lácteos realizadas na sub-região entre 2020 e 2024 é estimada em 934 milhões de dólares por ano, em média, segundo a FAO. Embora, por enquanto, a Nigéria e o Senegal sejam os principais alvos do Uganda para diversificar as suas exportações, Kampala poderá também explorar outros mercados para aproveitar as oportunidades existentes na região, especialmente porque países como a Mauritânia, o Gana, o Burkina Faso e a Costa do Marfim são igualmente grandes importadores de produtos lácteos.
O Uganda, um exportador em forte crescimento
Embora as exportações ugandesas estejam maioritariamente orientadas para os países vizinhos da África Oriental, nomeadamente o Quénia, a decisão de diversificar os mercados no continente africano reflete o fortalecimento da indústria leiteira local. Na última década, a produção de leite no Uganda mais do que duplicou, aumentando significativamente os volumes destinados à exportação.
Os dados compilados pelo Ministério das Finanças mostram que a produção, estimada em 1,9 milhões de toneladas em 2013, passou para 3,85 milhões de toneladas em 2023, antes de atingir 5,4 milhões de toneladas em 2024, estabelecendo um novo recorde para o setor. Paralelamente, as receitas de exportação multiplicaram-se por oito, passando de 28,68 milhões de dólares em 2014 para 264,5 milhões de dólares em 2023, podendo novos máximos ser alcançados com a atual dinâmica de produção.
Em detalhe, o leite em pó é o produto mais exportado, representando 54,2% do valor total das exportações, seguido do leite UHT (Ultra Alta Temperatura), com 33,1%.
Stéphanas Assocle













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