Impulsionada pelo aumento das necessidades de dados, segurança e planeamento territorial, a África acelera os seus investimentos espaciais. Num contexto de crescente concorrência regional, a Argélia reforça a sua presença orbital com um novo satélite.
Na quinta-feira, 15 de janeiro, a Argélia colocou em órbita o seu terceiro satélite de observação, o Alsat‑3A, a partir da base de lançamento de Jiuquan, na China. A operação foi supervisionada pelo general Saïd Chengriha, ministro delegado junto do ministro da Defesa Nacional e chefe do Estado‑Maior do Exército Nacional Popular.
Fruto de uma parceria entre a Agência Espacial Argelina (ASAL) e a China Aerospace Science and Technology Corporation, o Alsat‑3A foi concebido para fornecer imagens de alta resolução, com um campo de observação de 17,5 km e uma repetitividade de três dias. Estas capacidades visam reforçar a cartografia nacional, os modelos digitais de elevação e diversas aplicações estratégicas relacionadas com o ordenamento do território, a gestão de recursos naturais e a prevenção de riscos maiores.
O satélite vem completar a constelação nacional, já composta pelos Alsat‑2A e Alsat‑2B, e insere‑se na continuidade do Programa Espacial Nacional (PSN), que promove uma utilização pacífica, estruturada e sustentável do espaço. Segundo o Ministério da Defesa Nacional, o lançamento do Alsat‑3A, com a contribuição de especialistas argelinos, constitui mais um passo no reforço da soberania tecnológica do país, consolidando as suas capacidades de inteligência geoespacial e infraestruturas de dados de alto valor acrescentado.
Para além dos desafios nacionais, este avanço insere‑se num mercado espacial africano em plena expansão. O continente conta atualmente com mais de 21 países com programas espaciais e 18 que já lançaram pelo menos um satélite, totalizando cerca de 65 satélites, segundo dados do setor. Mais de 120 satélites adicionais estão atualmente em desenvolvimento, com lançamentos previstos até 2030.
Neste contexto, a Argélia figura entre os países africanos mais ativos, ao lado do Egito, África do Sul, Nigéria, Marrocos e Angola, que têm multiplicado os investimentos em infraestruturas espaciais. O lançamento do Alsat‑3A poderá assim reforçar a posição do país no segmento estratégico da observação da Terra, impulsionado pela crescente procura por dados de satélite para segurança, desenvolvimento sustentável e planeamento territorial.
Samira Njoya













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