Facebook Agence Ecofin Twitter Agence Ecofin LinkedIn Agence Ecofin
Instagram Agence Ecofin Youtube Agence Ecofin Tik Tok Agence Ecofin WhatsApp Agence Ecofin

×

Message

Failed loading XML... XML declaration allowed only at the start of the document

Guiné: a crise social e financeira na Cellcom antecipa um reforço da dominância da Orange

Guiné: a crise social e financeira na Cellcom antecipa um reforço da dominância da Orange
Sexta-feira, 17 de Abril de 2026

O mercado das telecomunicações na Guiné conheceu uma evolução inesperada nos últimos cinco anos. A concorrência, durante muito tempo sustentada pelos três operadores do país, enfraqueceu rapidamente face às exigências crescentes de investimento nas redes, impulsionadas pelos novos usos dos consumidores.

A situação torna-se ainda mais tensa na Cellcom Guiné. A empresa de telecomunicações enfrenta uma nova vaga de contestação social. Reunidos em assembleia geral na quinta-feira, 16 de abril de 2026, na sede em Conacri, trabalhadores do operador de telefonia móvel denunciaram uma vaga de despedimentos que consideram abusiva, bem como atrasos no pagamento dos salários e o incumprimento de vários compromissos assumidos pela direção.

Segundo os representantes dos trabalhadores, 23 empregados já perderam o seu posto por motivos económicos contestados, enquanto outras 26 supressões de postos estariam em estudo. Perante o que qualifica como má gestão, a Federação Sindical Autónoma das Telecomunicações (FESATEL) interpela o governo, nomeadamente o ministério responsável pelas telecomunicações e o do emprego, para garantir a proteção dos trabalhadores.

O seu secretário-geral, Abdoulaye Barry, anunciou uma ação formal junto das autoridades na próxima semana para exigir uma auditoria à Cellcom e, se necessário, a colocação da empresa sob administração provisória. Não exclui a hipótese de liquidação, com a reclassificação dos trabalhadores noutras empresas do setor.

Tensões financeiras

Esta nova crise social surge num contexto de deterioração financeira observado há vários meses. Em dezembro de 2025, meios de comunicação locais já relatavam dois meses de salários em atraso na Cellcom, seguidos pelo encerramento das suas instalações pelo senhorio, WAQF-BID, devido a dois a três anos de rendas em atraso, estimadas em 14 mil milhões de francos guineenses (cerca de 1,6 milhões de dólares). O operador conseguiu posteriormente a reabertura da sede por decisão judicial, sem que o litígio de fundo tenha sido totalmente resolvido.

A pressão manteve-se em 2026. No final de janeiro, os trabalhadores iniciaram um novo movimento social para exigir o pagamento dos salários de dezembro e janeiro, bem como dos prémios de fim de ano. Estas tensões recorrentes refletem uma situação de tesouraria degradada, num contexto em que as necessidades de investimento continuam elevadas.

Para além da crise interna, o caso Cellcom evidencia os desequilíbrios de um mercado guineense das telecomunicações marcado por uma forte concentração e pelas dificuldades de alguns operadores em manter a sua competitividade. Nos últimos anos, a empresa viu o seu peso no mercado diminuir significativamente, num contexto de pressão concorrencial crescente e de necessidades cada vez maiores de modernização das infraestruturas.

Segundo o último relatório publicado pela Autoridade de Regulação das Postas e Telecomunicações, a 30 de junho de 2025, o número de assinantes da Cellcom representava apenas 2,4% dos cerca de 13 milhões de utilizadores de telefonia móvel registados no mercado, enquanto no segundo trimestre de 2023 o operador ainda detinha 7,8% de cerca de 14 milhões de assinantes na Guiné. Entre 2023 e 2025, as suas receitas não pararam de cair.

O operador detinha 3% dos 1.715 mil milhões de francos guineenses gerados pelo mercado no segundo trimestre de 2023. Essa quota caiu para apenas 0,23% dos 2.237 mil milhões de francos guineenses de receitas geradas no segundo trimestre de 2025, ou seja, cerca de 5 mil milhões de francos guineenses.

Um caminho aberto para a Orange?

A crise da Cellcom ocorre num momento em que o setor já tinha vivido uma viragem importante com a retoma, pelo Estado guineense, da filial local da MTN, Areeba, anunciada no final de 2024. Esta operação refletia já a vontade das autoridades de evitar o desaparecimento de operadores considerados estratégicos para a continuidade dos serviços e para o equilíbrio concorrencial do mercado.

Paralelamente, as reflexões iniciadas pelo regulador sobre a itinerância nacional mostram que as autoridades antecipam, pelo menos parcialmente, a necessidade de novos mecanismos para preservar alguma concorrência. Num setor onde alguns operadores têm dificuldade em acompanhar o ritmo dos investimentos exigidos, perfila-se no horizonte uma forte concentração do mercado das telecomunicações.

Enquanto a situação da Areeba ainda não está verdadeiramente estabilizada em termos de crescimento do número de clientes e receitas (21,4% de quota de mercado) após a sua aquisição pelo Estado, as tensões na Cellcom constituem uma oportunidade para a Orange. A empresa, que já detinha 76,2% do total de assinantes móveis no segundo trimestre de 2025, poderá beneficiar de mais oportunidades para captar clientes inquietos.

Delineia-se assim um cenário semelhante ao do Quénia, com um operador largamente dominante.

Muriel EDJO

 

Sobre o mesmo tema

A Namíbia está a explorar uma nova via para melhorar a sua conectividade digital nas zonas mal servidas, voltando-se para o seu vizinho Angola para tentar...

Com mais de 8,9 milhões de utilizadores de Internet registados no início de 2026, o Mali regista uma procura crescente por conectividade. A Moov Africa...

Na Costa do Marfim, o serviço de internet via satélite Starlink prepara a sua entrada no mercado a partir de julho de 2026, após a atribuição de uma...

Nos últimos meses, a rede da operadora histórica namibiana tem sido marcada por uma sucessão de perturbações. A empresa está agora sob pressão, tanto por...

MAIS LIDOS
01

Dos 50 países africanos analisados, 27 registaram uma melhoria da sua situação em matéria de paz nos…

Classificação de 2026 dos países africanos mais pacíficos (Institute for Economics & Peace)
02

Num contexto de crescimento demográfico, expansão do acesso à eletricidade e aumento das necessidade…

Angola prevê aumentar a sua produção elétrica em 40% até 2027.
03

Tal como a maioria dos tubérculos cultivados em África, a batata desempenha um papel estratégico na …

Os 6 principais produtores de batata em África
04

Esta operação, a primeira do género realizada pelo banco britânico Crown Agents Bank em África em 20…

Vista Group obtém 142 milhões de dólares junto de um sindicato bancário liderado pelo Crown Agents Bank.

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

DEPARTAMENTO COMERCIAL
regie@agenceecofin.com 
Tel: +41 22 301 96 11
Cel: +41 78 699 13 72

Mídia kit : Link para download
REDAÇÃO
redaction@agenceecofin.com


Mais informações :
Equipe
Editora
AGÊNCIA ECOFIN

Mediamania Sarl
Rue du Léman, 6
1201 Genebra – Suíça
Tel: +41 22 301 96 11

 

A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

Please publish modules in offcanvas position.