As autoridades do Burquina Faso querem retomar o controlo de um setor ferroviário há muito penalizado pelo subinvestimento. A reestruturação do capital da FASO RAILS ocorre num contexto em que o transporte ferroviário é considerado estratégico para a mobilidade e o abastecimento transfronteiriço.
As autoridades burquinenses procederam a uma alteração da composição acionista da sociedade mista FASO RAILS, aumentando a participação do Estado para 95%, contra os 75% iniciais. As ações do investidor privado SOAF (Société Ouest-Africaine de Fonderie) diminuíram, assim, de 25% para 5% dos 10 mil milhões de FCFA (cerca de 17,8 milhões de USD) previstos como capital desta empresa, cuja criação tinha sido anunciada por decreto em 2024.
Na altura, as autoridades indicaram que a empresa asseguraria a fabricação local e a instalação de carris e travessas, bem como a produção de peças ferroviárias sobressalentes e vagões de comboio. A sua criação insere-se num objetivo global de implementar um sistema ferroviário nacional integrado, com redes interligadas, visando um transporte multimodal destinado a reduzir os custos anuais de manutenção das estradas e a permitir uma melhor mobilidade de pessoas e mercadorias.
A iniciativa integra o âmbito dos programas estratégicos destinados a modernizar as redes logísticas determinantes para a cadeia de abastecimento do país. Um dos elos-chave é o eixo Abidjan – Kaya, que o governo pretende modernizar. Atualmente, uma única linha ferroviária, operada pelo grupo logístico AGL, liga o Burquina Faso, país sem saída para o mar, à Costa do Marfim, assegurando as importações de mercadorias a partir do porto de Abidjan. No entanto, o estado desta ligação, com várias décadas de existência, provoca interrupções no transporte de carga, devido à necessidade de reparações regulares em certas secções.
O reforço do controlo sobre a FASO RAILS ocorre também num contexto em que a fluidez dos corredores de abastecimento condiciona diretamente a competitividade da economia nacional e a resiliência logística dos países sem saída para o mar, geralmente confrontados com maiores constrangimentos logísticos.
Henoc Dossa













King Abdulaziz International Conference Center, Riyadh - « Dawn of a global cause: Minerals for a new age of development »