Após um bom ano de 2025, o transporte aéreo marroquino entra numa fase decisiva em que o desempenho dependerá de múltiplos fatores. Entre a necessidade de reforçar os padrões operacionais, a manutenção da competitividade regional e os objetivos de crescimento a longo prazo, o setor terá de demonstrar a sua capacidade para consolidar a dinâmica de crescimento.
2026 perfila-se como um ano desafiante para a indústria marroquina do transporte aéreo, face à perspetiva de repetir, ou mesmo superar, o recorde de 36,3 milhões de passageiros registados em 2025, sem a contribuição de um dos principais fatores que impulsionaram esse nível de atividade. Segundo o Office National des Aéroports (ONDA), a Taça das Nações Africanas (CAN 2025), atualmente a decorrer no país, gerou uma grande parte dos 3,6 milhões de passageiros adicionais registados em comparação com 2024, ano em que o tráfego total dos aeroportos atingiu 32,7 milhões.
Enquanto o Campeonato do Mundo de Futebol, considerado o próximo grande evento capaz de gerar fluxos significativos para o país, só acontecerá daqui a quatro anos, o turismo continuará a ser o principal motor de crescimento dos volumes. No entanto, a CAN também foi um fator-chave para a expansão deste setor, que registou 19,8 milhões de turistas em 2025, contra 17,5 milhões no ano anterior.
Embora tenham sido anunciadas várias iniciativas, como o reforço da interligação entre aeroportos através de acordos com diversas companhias aéreas e a expansão da rede da Royal Air Maroc, o desafio torna-se ainda mais evidente à luz do plano estratégico Aeroporto 2030, que impõe uma progressão sustentada do tráfego aéreo para alcançar o objetivo de 80 milhões de passageiros em cinco anos.
Apesar de estar em curso um plano de investimento para ampliar as plataformas aeroportuárias e reforçar as capacidades da transportadora nacional, o verdadeiro desafio residirá, segundo alguns observadores, na qualidade da execução operacional e na coerência da governação do setor. O crescimento do tráfego, na ausência de um grande evento catalisador, dependerá da capacidade dos intervenientes em tornar os percursos dos passageiros mais fluidos, reduzir os tempos de processamento em terra e melhorar a fiabilidade global das operações — parâmetros considerados determinantes para a competitividade dos aeroportos marroquinos.
Henoc Dossa













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