Apesar do seu elevado potencial hidroelétrico, a RDC apresenta uma taxa de acesso à eletricidade estimada em 21,5% em 2025. O país aposta agora em soluções descentralizadas para acelerar a eletrificação das zonas rurais.
Em Kinshasa, o governo congolês e a União Europeia (UE) lançaram a «janela país» do programa ElectriFI. O anúncio foi feito num comunicado da instituição europeia publicado na terça-feira, 20 de maio.
Dotado de um orçamento de 15 milhões de euros (17,4 milhões de dólares), este mecanismo visa apoiar o acesso à eletricidade e o desenvolvimento das energias renováveis na República Democrática do Congo (RDC).
«O programa ElectriFI consolidou-se como um instrumento de referência incontornável para o financiamento de soluções energéticas inovadoras, viáveis e inclusivas. A criação deste orçamento dedicado à RDC […] constitui um sinal forte. É o testemunho de uma confiança renovada no potencial económico da nossa nação e, sobretudo, nas reformas corajosas empreendidas pelo nosso governo», declarou o ministro dos Recursos Hídricos e da Eletricidade, Aimé Sakombi Molendo, segundo declarações difundidas pela Agência Congolesa de Imprensa (ACP).
Uma eletrificação ainda muito insuficiente apesar do elevado potencial
A RDC figura entre os países africanos mais ricos em recursos energéticos, mas continua paradoxalmente a ser um dos menos eletrificados do continente. O país dispõe de um potencial hidroelétrico estimado em cerca de 167 000 MW, segundo o ministro Sakombi Molendo, principalmente concentrado no rio Congo, nomeadamente em torno do local de Inga, considerado um dos mais potentes do mundo.
No entanto, a capacidade efetivamente explorada continua limitada, restringindo a oferta de eletricidade disponível. Esta situação obriga alguns industriais a importar eletricidade de países vizinhos, como o Congo, a Zâmbia ou a Tanzânia, para manter as suas atividades.
A taxa de acesso à eletricidade atingiu 21,5% em 2025, contra 9% em 2019. Embora se trate da progressão mais rápida da história energética do país, esta taxa continua baixa, especialmente nas zonas rurais, onde grande parte da população ainda vive sem ligação à rede nacional. Mesmo as grandes cidades, incluindo a capital Kinshasa, enfrentam instabilidade no fornecimento elétrico, representando um desafio significativo para famílias e empresas.
Perante estas dificuldades, o país aposta progressivamente em soluções descentralizadas, nomeadamente mini-redes e sistemas solares fora da rede, considerados mais adequados para acelerar a eletrificação das zonas rurais e remotas.
Ingrid Haffiny













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