Em Madagascar, o setor agrícola contribui com cerca de 22% do PIB e emprega aproximadamente 69% da população ativa. A produção local, que desempenha um papel central na segurança alimentar do país, vem sendo ameaçada nos últimos anos pela proliferação de pragas.
No dia 17 de janeiro, Madagascar lançou oficialmente a sua campanha antiacridiana 2025/2026, com o objetivo de tratar 600 000 hectares de áreas agrícolas expostas às invasões de gafanhotos. Esta ofensiva quase duplica as superfícies cobertas durante a campanha anterior.
Durante a campanha 2024-2025, a Grande Ilha conseguiu tratar 302 827 hectares de terras agrícolas infestadas, graças a uma combinação de intervenções aéreas e terrestres, segundo o Ministério da Agricultura. A intensificação das ações este ano deverá, segundo as autoridades, reduzir o impacto das infestações em curso e evitar perdas agrícolas significativas.
De acordo com a FAO, um enxame médio de 40 milhões de gafanhotos pode consumir até 80 toneladas de vegetação por dia, ameaçando diretamente a segurança alimentar e a resiliência das comunidades rurais.
“A luta contra os gafanhotos não é apenas uma ação técnica, mas um pilar essencial da modernização de Madagascar, a serviço do desenvolvimento do mundo rural e da proteção dos agregados agrícolas”, declarou Rasatarimanana José Nirina, ministro da Agricultura e da Pecuária.
Um orçamento de 7,3 milhões de dólares mobilizado
O orçamento alocado pelo Estado malgaxe para a campanha antiacridiana 2025/2026 é de 7,3 milhões de dólares, financiados pelo Banco Mundial e com apoio técnico da FAO. Segundo as autoridades, este montante servirá para financiar a modernização e o equipamento do Centro Nacional de Luta Antiacridiana (IFVM), bem como o reforço das competências de mais de 70 agentes, de modo a dotar o país de técnicos especializados. Essas iniciativas dão continuidade aos esforços já empreendidos pelo governo e seus parceiros para reduzir as intervenções de emergência e privilegiar uma gestão preventiva e de longo prazo das invasões de gafanhotos.
Importa salientar que, desde abril de 2024, populações de gafanhotos migratórios malgaxes, caracterizadas por uma forte gregariedade sob a forma de enxames e bandas larvais, desenvolveram-se em várias zonas do sul do país. Esta situação fragiliza ainda mais a segurança alimentar, numa conjuntura em que Madagascar enfrenta várias outras ameaças agrícolas importantes, nomeadamente uma seca persistente desde 2023, epidemias de febre do Vale do Rift e infestações de lagartas-do-cartucho reportadas desde 2017.
É neste contexto que Antananarivo lançou, em 2024, um programa de emergência de 21,2 milhões de dólares para o período 2024-2028, em resposta às invasões acridianas. Este programa quadrienal, cofinanciado pelo governo, pela FAO e pela Noruega, visa reforçar os dispositivos de pulverização aérea e terrestre, combinando pesticidas, inibidores de crescimento e biopesticidas, bem como instaurar sistemas de vigilância e de alerta precoce.
O objetivo do projeto é quebrar os ciclos de reprodução do gafanhoto migratório malgaxe, de modo a limitar o seu impacto sobre a agricultura e a segurança alimentar, que se torna cada vez mais preocupante.
Segundo as projeções do Quadro Integrado de Classificação da Segurança Alimentar (IPC), prevê-se que 1,6 milhão de pessoas enfrentem uma insegurança alimentar aguda elevada em Madagascar entre fevereiro e abril de 2026.
“O período projetado de fevereiro a abril de 2026 representa o pico crítico da insegurança alimentar e da desnutrição do ano. Todos os fatores de vulnerabilidade estão reunidos: estoques alimentares esgotados, aumento acentuado dos preços, acesso restrito aos mercados, elevada taxa de morbilidade infantil, degradação das estradas e ausência quase total de assistência humanitária”, alertou o IPC no seu último relatório de análise da insegurança alimentar aguda e da desnutrição aguda na Grande Ilha.
Stéphanas Assocle













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