Facebook Agence Ecofin Twitter Agence Ecofin LinkedIn Agence Ecofin
Instagram Agence Ecofin Youtube Agence Ecofin Tik Tok Agence Ecofin WhatsApp Agence Ecofin

×

Message

Failed loading XML...

Failed loading XML... XML declaration allowed only at the start of the document

A crise no Golfo impulsiona os valores energéticos da BRVM

A crise no Golfo impulsiona os valores energéticos da BRVM
Quarta-feira, 4 de Março de 2026

As próximas sessões de negociação na BRVM serão observadas de muito perto. Entre a disparada das petrolíferas e a fragilização do restante do mercado, a bolsa regional da África Ocidental poderá oscilar quase ao ritmo das bombas que caem sobre Teerão.

Na primeira sessão de negociação desde que os Estados Unidos e Israel lançaram bombardeamentos sobre o Irão na noite de sábado, 28 de fevereiro, a Bourse Régionale des Valeurs Mobilières (BRVM) apresentou um quadro contrastante, mas revelador: enquanto o índice geral recuava, os valores do setor energético disparavam literalmente, impulsionados pela subida dos preços mundiais do petróleo, consequência do conflito no Golfo Pérsico.

Um mercado sob tensão geopolítica

No sábado, 28 de fevereiro, Israel e os Estados Unidos lançaram um ataque conjunto e coordenado em múltiplos locais no Irão, numa operação denominada “Epic Fury” pelos americanos e “Roaring Lion” pelos israelitas. Estes bombardeamentos resultaram na morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, e o conflito intensificou-se no dia seguinte. Em retaliação, o Irão ameaçou fechar o estreito de Ormuz e atacar massivamente as bases militares americanas e interesses israelitas em toda a região do Médio Oriente.

Este estreito, pelo qual transitam diariamente cerca de 20 milhões de barris, tornou-se em poucas horas o epicentro das preocupações dos mercados internacionais. A missão naval europeia Operation Aspides confirmou que os Guardiões da Revolução iranianos emitiram avisos por rádio proibindo a passagem de qualquer navio, enquanto os seguradores marítimos tomaram a medida incomum de cancelar apólices e aumentar drasticamente os prémios.

Os setores energéticos dominam a BRVM

Na manhã de segunda-feira, 2 de março, em Abidjan, a sessão de negociação confirmou esta dinâmica de forma inequívoca. Das cinco maiores valorizações do dia, quatro pertenciam claramente ao setor de energia e distribuição de petróleo. A Vivo Energy Côte d'Ivoire abriu a lista com uma subida de +7,41%, a 2175 FCFA (3,8 dólares), seguida da TotalEnergies Senegal com +7,39% a 3125 FCFA e da TotalEnergies Côte d'Ivoire com +7,14% a 3000 FCFA. A CIE Côte d'Ivoire, distribuidora de eletricidade, completou este pódio energético com +7,36% a 3430 FCFA.

Estas performances confirmam uma tendência bem conhecida dos analistas: em períodos de choque geopolítico no Médio Oriente, as petrolíferas e distribuidores cotados nos mercados africanos beneficiam tanto do efeito do preço do barril como de uma corrida por ativos tangíveis. As primeiras observações indicam uma subida clássica do petróleo bruto na ordem dos +9%.

Um índice geral misto

Apesar do impulso energético, a BRVM não foi poupada pela nervosidade do mercado. O BRVM Composite, índice de referência, fechou em queda de -0,21% a 416,85 pontos. O BRVM Prestige recuou -0,35% a 164,25 pontos. Apenas o BRVM 30 registou uma ligeira subida de +0,08% a 194,96 pontos.

Entre as maiores perdas, a Servair Côte d'Ivoire sofreu o impacto mais severo com -6,61%, uma queda diretamente ligada à paralisação do tráfego aéreo global. Após o início dos ataques, muitas companhias aéreas cancelaram voos na região, e vários espaços aéreos, incluindo Qatar, Iraque, Kuwait e Bahrein, foram totalmente encerrados. A Unilever Côte d'Ivoire (-5,77%), o Bank of Africa Niger (-5,50%) e a CFAO Motors Côte d'Ivoire (-5,03%) também sofreram.

No total, 2 255 844 títulos foram negociados por um valor de 1,77 mil milhões FCFA, numa sessão marcada pelo aumento do volume, sinal de que os investidores procuraram reposicionar rapidamente as suas carteiras. A capitalização total da BRVM situou-se em 16 071,82 mil milhões FCFA.

Dubai fecha, Riade treme: o choque nas praças do Golfo

Nos mercados mais diretamente expostos ao conflito, a situação é ainda mais dramática. Na segunda-feira, 2 de março, a Autoridade de Mercados de Capitais dos Emirados Árabes Unidos suspendeu todas as atividades bolsistas por 48 horas, após ataques de drones iranianos sobre Dubai e Abu Dhabi. Um “circuit breaker” histórico para uma praça financeira com capitalização combinada superior a 1100 mil milhões de dólares, representando 1,4% do índice MSCI Emerging Markets. O Kuwait também fechou temporariamente a sua bolsa, alegando “circunstâncias excecionais”.

Em Riade, o índice Tadawul, barómetro das praças do Golfo, registava queda, depois de ter recuado 1,3% em cinco dias antes mesmo do início das hostilidades. A ameaça iraniana de atacar infraestruturas petrolíferas sauditas lança uma sombra sobre todo o setor.

Europa e Wall Street no vermelho, ouro em alta

A milhares de quilómetros do estreito de Ormuz, as grandes praças financeiras ocidentais também não foram poupadas. As principais bolsas europeias abriram em baixa na segunda-feira. Em Paris, Frankfurt, Londres e Milão, os setores mais expostos ao transporte aéreo, turismo e logística marítima sofreram as maiores quedas, enquanto os valores de defesa e as petrolíferas subiam.

O ouro subiu cerca de 3% e o bitcoin registou uma alta de 5,5% nas últimas 24 horas, refletindo um aumento da procura por ativos alternativos considerados refúgios em contexto de incerteza. Em Wall Street, os futuros americanos registavam ligeira baixa, com os operadores a adotarem uma postura de espera. Segundo a BloombergNEF, se as perturbações persistirem ao longo de 2026, o Brent poderá atingir 91 dólares por barril no quarto trimestre. Num cenário extremo, o Deutsche Bank estima que um encerramento total do estreito de Ormuz poderia elevar o preço para 120 dólares.

África perante a fatura a pagar

Para além da BRVM, todo o continente africano acompanha com preocupação a escalada dos preços. O Primeiro-Ministro senegalês Ousmane Sonko alertou, no domingo, 1 de março, para as repercussões económicas do conflito nos países africanos, estimando que o continente sofrerá diretamente as consequências de uma guerra que se recusa a nomear de outra forma. A suspensão imediata das travessias do estreito de Ormuz pela gigante marítima Maersk e a subida dos preços do petróleo ameaçam diretamente as economias africanas, fortemente dependentes de importações de hidrocarbonetos.

A União Africana apelou à paz duradoura por via diplomática, insistindo num reforço do compromisso multilateral, e elogiou os esforços do Sultanato de Omã para reabrir canais de comunicação e prevenir a expansão do conflito. Este apelo ecoa nas principais bolsas africanas, do Johannesburg Stock Exchange ao Bourse de Casablanca, onde os operadores monitorizam hora a hora a evolução do conflito, cientes de que o que se passa nos céus de Teerão acabará por refletir-se nos preços de fecho.

Fiacre E. Kakpo

 

Sobre o mesmo tema

As próximas sessões de negociação na BRVM serão observadas de muito perto. Entre a disparada das petrolíferas e a fragilização do restante do mercado, a...

Impulsionado pela digitalização dos procedimentos e pelo reforço das medidas fiscais, o Burkina Faso superou as suas previsões de mobilização de receitas...

Todos os anos, a entrada massiva de jovens no mercado de trabalho evidencia os Ensino superior: a Guiné anuncia reformas para responder ao desemprego...

Após dezassete anos de aumento, a dívida pública sul-africana poderá iniciar uma fase de estabilização. Para o exercício 2026-2027, o governo prevê...

MAIS LIDOS
01

Principal produtor mundial de diamantes, que também são seus principais produtos de exportação, o Bo…

Botswana: A transição para o cobre com o rebranding da Botswana Diamonds
02

No seu confronto com o Estado maliano, a Barrick Mining não incluiu a mina de ouro Loulo-Gounkoto na…

Ouro: o canadense Barrick perdeu seu status de segundo maior produtor mundial em 2025
03

Enquanto o Uganda enfrenta uma transição demográfica, com uma juventude numerosa lutando para encont…

Ouganda: Airtel Africa lança programa de bolsas para apoiar jovens talentos nas áreas de STEM
04

Impulsionada pelo dinamismo da sua indústria de ouro, a Costa do Marfim colhe os frutos de uma polít…

Atratividade Mineira: a Costa do Marfim novamente líder na África Ocidental (Fraser Institute)

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

DEPARTAMENTO COMERCIAL
regie@agenceecofin.com 
Tel: +41 22 301 96 11
Cel: +41 78 699 13 72

Mídia kit : Link para download
REDAÇÃO
redaction@agenceecofin.com


Mais informações :
Equipe
Editora
AGÊNCIA ECOFIN

Mediamania Sarl
Rue du Léman, 6
1201 Genebra – Suíça
Tel: +41 22 301 96 11

 

A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

Please publish modules in offcanvas position.