No Gana, o cacau continua a ser a principal força motriz das exportações agrícolas. Contudo, o país dispõe também de vantagens significativas em outras culturas arbóreas, que ocupam um lugar crescente no comércio externo, mas cujo potencial permanece largamente subexplorado.
No Gana, a Autoridade para o Desenvolvimento das Culturas Arbóreas (TCDA – Tree Crops Development Authority) organiza de 17 a 20 de fevereiro o 1.º Cimeira Ganesa sobre Investimento em Culturas Perenes (GTCIS). A instituição pretende, através desta iniciativa, mobilizar 100 milhões de USD em compromissos de investimento para cada uma das seis cadeias estratégicas de culturas arbóreas que regula, perfazendo um total de 600 milhões de USD. As cadeias abrangidas são: caju, palma de óleo, seringueira, coco, karité e manga.
Sob o tema «Crescimento sustentável através de investimentos em culturas perenes: reiniciar e construir a economia verde do Gana», o GTCIS espera atrair mais de 6 000 participantes, incluindo investidores institucionais, instituições de financiamento do desenvolvimento, operadores agroindustriais, decisores políticos e parceiros comerciais vindos de África e de outras regiões.
A TCDA aposta nesta afluência para estabelecer parcerias e garantir os compromissos financeiros necessários ao desenvolvimento das cadeias. Segundo informações veiculadas pelos meios de comunicação locais, estes financiamentos, se obtidos, deverão apoiar a expansão da transformação local, melhorar os rendimentos dos produtores e reduzir a dependência das exportações de matérias-primas.
«O setor das culturas perenes do Gana representa uma das nossas oportunidades mais promissoras para um crescimento económico inclusivo e uma transformação industrial. O GTCIS 2026 não é apenas uma conferência: é uma plataforma para demonstrar a nossa prontidão para o investimento, criar parcerias duradouras e construir uma cadeia de valor competitiva a nível global», afirmou Andy Osei Okrah, diretor-geral da TCDA, citado pelo meio local Graphic Online.
Entre ambições e desafios
Esta necessidade de novos investimentos reflete a vontade de acompanhar as ambições de crescimento do governo para cada uma das cadeias agrícolas-alvo e de explorar melhor o seu potencial.
Em agosto de 2025, a TCDA estimava que cada uma destas cadeias poderia gerar até 2 mil milhões de USD em receitas de exportação anuais até 2030, com a mobilização de investimentos adequados, capacidade de transformação suficiente e sistemas de mercado estruturados. Em comparação, as exportações de caju, que se posicionam como o segundo produto agrícola mais exportado após o cacau, renderam apenas 237 milhões de USD em 2024, segundo dados do Serviço Estatístico do Gana (Ghana Statistical Service).
Desde o anúncio desta projeção ambiciosa pela TCDA, multiplicam-se iniciativas e programas de desenvolvimento em várias cadeias arbóreas. Por exemplo, Accra anunciou, a 6 de fevereiro, a intenção de duplicar a área dedicada ao cultivo de coco para 180 000 hectares até 2028, com a implementação de um programa de distribuição de sementes de alto desempenho. Este programa de expansão visa aumentar em 60 % as receitas provenientes das exportações de coco e produtos derivados, para 18,1 milhões de USD por ano, consolidando a cadeia ganesa como líder em África.
Mais cedo, em janeiro, o presidente John Dramani Mahama lançou a construção de um polo industrial dedicado ao karité em Wa, na região do Alto Gana Ocidental. O objetivo é atrair investimentos destinados a valorizar esta matéria-prima na indústria cosmética, agroalimentar, nutracêutica e farmacêutica, seguindo a nova orientação de criar mais valor na cadeia.
Quanto à cadeia da palma de óleo, também tem registado renovado interesse nas políticas públicas, que reafirmaram o objetivo da autossuficiência já em 2025. No âmbito da sua Política Nacional de Desenvolvimento Integrado da Palma de Óleo para 2026‑2032, Accra decidiu, por exemplo, criar uma linha de financiamento de 500 milhões de USD para apoiar os investimentos do setor privado na cadeia da palma de óleo.
Embora ainda não tenham sido anunciados planos de desenvolvimento de grande escala para as cadeias de caju ou seringueira, sabe-se que os atores destes setores solicitam o apoio do governo para desenvolver a transformação industrial. Em setembro passado, a Associação dos Transformadores de Borracha (Rubber Processors Association – RPA) lamentou uma perda potencial de mais de 100 milhões de USD por ano na cadeia da seringueira, destacando o baixo nível de transformação e a fraca regulação, que não incentiva a indústria.
Stéphanas Assocle













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