O Quênia é o número um da África no setor de flores cortadas, principalmente graças ao clima de suas altas terras, ideal para o cultivo de rosas. O país da África Oriental possui um status dominante no mercado europeu.
A indústria de flores cortadas do Quênia pode ainda evoluir nos próximos anos, para maximizar a criação de valor a longo prazo, beneficiando todos os elos da cadeia. Isso foi o que afirmou à Agência Ecofin, Lamber van Horen, especialista sênior da divisão de Produtos Frescos do grupo bancário neerlandês Rabobank.
Embora a indústria tenha conseguido lidar com vários ventos contrários nos últimos anos, como a Covid-19, que dificultou o transporte aéreo e causou um aumento nos custos do frete, o responsável destaca que os atores do setor devem ir além dos ajustes atuais para captar novas oportunidades de crescimento. “A indústria de flores é resiliente, mas pode gerar um valor agregado maior”, sublinha ele.
Desenvolvimento de Unidades Locais de Montagem de Buquês
Van Horen acredita que o Quênia pode gradualmente desenvolver unidades locais para montar buquês mistos prontos para venda no mercado europeu, em vez de exportar apenas hastes soltas. “Na Europa, 50% das flores são vendidas na forma de buquês mistos. Ao montar os buquês localmente, o Quênia pode capturar parte da margem que hoje é absorvida pelas floriculturas nos Países Baixos, em Miami ou em Tóquio. Poderíamos pensar em uma atividade como essa mais próxima das zonas de produção, na região de Naivasha, ou em Nairóbi e Mombaça”.
Esse desenvolvimento implicaria que os compradores europeus, especialmente os do setor de grandes redes de distribuição, pagassem por esse serviço (seleção, montagem, embalagem, rotulagem) para receber os buquês já prontos, embalados e etiquetados.
Perspectivas Estáveis para 2026
Em relação ao futuro, Van Horen estima que a indústria de flores cortadas do Quênia deverá operar em um ambiente relativamente estável este ano na Europa. Ele afirma que a demanda europeia, que deve se manter apesar dos riscos geopolíticos, continuará a fornecer um terreno fértil para a indústria do país da África Oriental. Com várias companhias aéreas, incluindo a Kenya Airways, o Quênia atualmente fornece 40% da demanda europeia e responde por mais de 15% do comércio internacional de flores cortadas.
Outro desafio será ver como a indústria gerenciará os desafios da confiabilidade logística para os países do Golfo. Além do seu mercado tradicional, a União Europeia, o Quênia tem procurado diversificar seus destinos, visando o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait, Bahrein e a Arábia Saudita. Segundo o Rabobank, as exportações de flores cortadas para esses países da região sul do Golfo Pérsico já alcançam 100 milhões de dólares anuais.
Desafios Logísticos e Competitividade no Mercado do Golfo
A crise no Mar Vermelho, com os desvio das rotas marítimas pelo Cabo da Boa Esperança e o aumento do tempo de trânsito, elevou o custo do frete marítimo e fez com que muitos atores recorressem ao transporte aéreo. Nesse contexto, a capacidade de Nairóbi em garantir conexões aéreas regulares e competitivas para essa região será observada de perto, especialmente porque esses destinos também oferecem preços de venda competitivos para os exportadores quenianos, devido ao alto poder aquisitivo da população local.
Dados do Setor e Impacto Econômico
De acordo com dados do Rabobank, cerca de 100.000 pessoas trabalham diretamente nas fazendas de flores no Quênia, e cerca de 60.000 outras estão empregadas no transporte das flores e em outras atividades de apoio. O país, que é o 4º maior exportador mundial de flores cortadas, atrás dos Países Baixos, Colômbia e Equador, gera entre 450 e 520 milhões de dólares anualmente com as vendas de rosas cortadas no mercado internacional.
Espoir Olodo













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