No Burkina Faso, o tomate é um dos principais produtos hortícolas cultivados, juntamente com a cebola. No país, o segmento de processamento tem-se desenvolvido nos últimos anos com o impulso de novos projetos industriais.
As exportações de tomates frescos do Burkina Faso estão suspensas até novo aviso a partir de 16 de março deste ano. O anúncio foi feito num comunicado conjunto do Ministério da Indústria e Comércio e do Ministério da Agricultura.
Segundo as autoridades, esta decisão visa assegurar o fornecimento suficiente de matéria-prima às unidades de transformação.
«[…] A emissão das Autorizações Especiais de Exportação [ASE] está suspensa. Os operadores económicos que possuam autorizações de exportação de tomates frescas válidas têm um prazo de duas [02] semanas a contar da data de assinatura do presente comunicado para concluir o seu processo de exportação», lê-se também no comunicado.
É importante notar que, no país dos Homens Íntegros, a indústria local de processamento já vem se fortalecendo nos últimos anos com a entrada em operação de novas unidades. Em dezembro de 2024, o Presidente Ibrahim Traoré inaugurou uma unidade em Pognongo, sob o nome de Société Faso Tomates (SOFATO). Com um custo total de 5,6 mil milhões de francos CFA (9,8 milhões de dólares), a unidade foi implementada pela Société Coopérative com Conselho de Administração «Bâtir l’Avenir» (SCOOP-CA/BA) e tem capacidade de processar 5 toneladas de tomate por hora para a produção de derivados, incluindo concentrado de tomate.
Um pouco antes, em novembro do mesmo ano, uma unidade de processamento denominada Société Burkinabè de Tomates (SOBTO) foi inaugurada em Dogona, com financiamento da Agência para a Promoção do Empreendedorismo Comunitário (APEC). Com um investimento de 7,5 mil milhões de francos CFA (13,1 milhões de dólares), esta unidade pode processar 6 toneladas de tomate por hora, permitindo uma produção de 800 kg de concentrado por hora, comercializado sob a marca «A’diaa».
Mais recentemente, em janeiro passado, a APEC anunciou o lançamento em março de 2026 de uma nova unidade de processamento de tomates em Tenkodogo, com as obras de construção já concluídas em mais de 70%.
A suspensão anunciada das exportações confirma a ambição de Ouagadougou de desenvolver a indústria local para reduzir a dependência das importações de puré e concentrado de tomate. Segundo a FAO, o Burkina Faso importou, em média, 15.441 toneladas de puré de tomate por ano entre 2020 e 2024, com um pico de 26.451 toneladas registrado em 2024. Nesse período, a fatura associada a essas compras atingiu, em média, 5,4 milhões de dólares por ano.
Repercussões no comércio intrarregional?
Esta decisão deverá, contudo, ter um impacto limitado no mercado sub-regional no contexto atual. Os dados da plataforma Trade Map mostram que quase todas as exportações burquinenses de tomates frescos nos últimos anos destinavam-se ao Gana. No entanto, é importante lembrar que o país vizinho suspendeu temporariamente, desde 17 de fevereiro, as compras de tomates provenientes do Burkina Faso, após um ataque terrorista à cidade de Titao, no norte do país saheliano, ter colocado em risco a vida de comerciantes ganenses.
Antes desses eventos, os intercâmbios entre os dois países eram relativamente significativos. Segundo o Club do Sahel e da África Ocidental, ligado à OCDE, a cadeia de valor regional do tomate sofre, como outros setores agrícolas, de uma «subdeclaracão massiva» dos fluxos comerciais. Embora os dados combinados sobre comércio registrado e não registrado indiquem que as importações ganenses de tomates tenham sido cerca de 1.700 toneladas em 2022, a organização estima que os volumes reais poderiam atingir quase 100.000 toneladas, segundo a Associação Nacional de Comerciantes e Transportadores de Tomates.
Neste contexto, a evolução da situação no Burkina Faso continuará a ser acompanhada de perto pelos comerciantes ganenses, sobretudo porque a suspensão decidida por Acra tem, por enquanto, caráter temporário.
Stéphanas Assocle













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