O relatório apela aos governos africanos e seus parceiros de desenvolvimento para aumentarem os investimentos em bancos de genes, fortalecerem as capacidades científicas e técnicas na conservação das espécies ameaçadas e apoiarem os agricultores e as comunidades como guardiões da diversidade genética vegetal.
A África está perdendo sua diversidade genética vegetal a um ritmo alarmante, o que representa uma séria ameaça para a segurança alimentar, os meios de subsistência das populações e a capacidade dos sistemas agrícolas de resistir aos choques climáticos. Este é o alerta feito por um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) na quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026.
O relatório intitulado "The Third Report on the State of the World’s Plant Genetic Resources for Food and Agriculture" destaca que as variedades locais de plantas cultivadas, as espécies selvagens relacionadas a plantas cultivadas e as plantas selvagens consumidas como alimentos estão desaparecendo mais rapidamente do que estão sendo conservadas.
Várias variedades de culturas adaptadas às condições climáticas da África, desenvolvidas e transmitidas por agricultores ao longo de muitas gerações, estão desaparecendo das lavouras, reduzindo as opções para os agricultores africanos à medida que as secas e as altas temperaturas se tornam mais frequentes e intensas. Isso inclui variedades de culturas de base como sorgo, milho, mandioca, arroz e algodão tradicional. Estas culturas locais frequentemente são mais bem adaptadas aos solos e ao clima do que as variedades comerciais, que nem sempre foram selecionadas para as condições agroecológicas específicas da África.
O relatório também destaca o declínio das plantas alimentícias selvagens, que fornecem nutrientes essenciais e servem como uma rede de segurança alimentar em tempos de escassez. Entre essas plantas estão o baobá, o karité, o marula, o tamarindo e o mangueiro africano (Irvingia gabonensis), além de vegetais folhosos nativos como o amaranto, a morela africana e as folhas de feijão-caupi.
Capacidade de conservação insuficiente
De acordo com o relatório, mais de 70% das plantas alimentícias selvagens avaliadas na África estão ameaçadas de extinção, com variações de 72% na África Subsaariana a 77% na África do Norte, devido principalmente à perda de habitat natural, mudanças no uso da terra e o impacto das mudanças climáticas. O ritmo de declínio dessas plantas é duas vezes mais rápido do que a média global.
Além disso, o relatório destaca a perda de várias espécies selvagens relacionadas a plantas cultivadas, como o sorgo, o milho, o arroz, a mandioca, o feijão-caupi e a berinjela africana. Essas plantas selvagens oferecem recursos genéticos essenciais para a seleção de culturas mais produtivas e resistentes às mudanças climáticas, pragas e doenças. Mais de 70% dessas espécies estão ameaçadas de extinção.
Outro dado alarmante é que as bancos de genes africanas conservam apenas cerca de 14% das espécies selvagens relacionadas às plantas cultivadas, o que expõe a perda irreversível de características adaptativas importantes, à medida que as mudanças climáticas aceleram a extinção dessas espécies.
Ação urgente necessária
A FAO faz um apelo urgente para uma ação coordenada dos governos africanos e seus parceiros de desenvolvimento para investir mais na conservação de recursos fitogenéticos. Isso inclui o fortalecimento das capacidades científicas e técnicas para a conservação de espécies vegetais ameaçadas, o apoio a sistemas semeadores e bancos de genes, e o reconhecimento do papel crucial dos agricultores e das comunidades como guardiões da diversidade genética vegetal.
A FAO enfatiza que, sem uma intervenção urgente, a perda contínua da diversidade genética vegetal na África comprometerá não só a segurança alimentar no continente, mas também a resiliência dos sistemas agrícolas face às mudanças climáticas.
Walid Kéfi













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