A empresa russa agroalimentar EFKO planeja investir na indústria agrícola da Guiné
O projeto deve permitir maior valor agregado na transformação de cacau e karité, atualmente exportados principalmente em forma bruta
Na Guiné, o cacau é um dos principais produtos agrícolas de exportação, juntamente com o cajú e o peixe. Quase toda a produção é exportada em estado bruto, limitando a criação de valor agregado.
O grupo agroalimentar russo EFKO está considerando investimentos no setor agrícola da Guiné. Com essa intenção, uma delegação da empresa foi recebida pelo Ministério da Agricultura da Guiné na quarta-feira, 19 de novembro.
Em um comunicado publicado em seu site, o ministério indica que essa visita faz parte de uma missão de exploração com o objetivo de identificar um local adequado para a instalação de uma unidade de processamento de cacau e karité. Atualmente, o custo do investimento e os detalhes técnicos do projeto ainda são desconhecidos.
No entanto, esse interesse é uma oportunidade para fortalecer a capacidade de transformação e melhorar a criação de valor nessas duas cadeias produtivas orientadas principalmente para a exportação. Dados compilados na plataforma Trade Map mostram, por exemplo, que a cadeia do cacau obteve quase US$ 492,7 milhões em receitas de exportação em 2024, dos quais 99,9% foram provenientes de remessas de matéria-prima bruta (grãos).
A instalação de uma fábrica de processamento cria um canal de venda para produtores locais, um investimento que pode estimular o aumento da produção de matéria-prima. A Guiné ainda é um player modesto na produção de cacau em comparação com gigantes da África Ocidental como Costa do Marfim, Gana e Nigéria.
De acordo com a FAO, a cadeia produtiva de cacau da Guiné colheu em média quase 23.000 toneladas de grãos por ano entre 2019 e 2023. Vale ressaltar que parte considerável das exportações é alimentada por matéria-prima oriunda do contrabando transfronteiriço, principalmente da Costa do Marfim.
Stéphanas Assocle












