Nigéria lança Estratégia e Plano de Investimento do Setor de Sementes para melhorar a qualidade e disponibilidade de sementes, impulsionando os rendimentos e reduzindo a dependência das importações.
O plano prevê um investimento total de 2,48 bilhões de nairas (5,76 milhões de dólares) para modernizar o sistema de sementes e apoiar o desenvolvimento agrícola.
A Nigéria lançou, no dia 27 de novembro, durante a conferência SeedConnect Africa em Abuja, sua Estratégia e Plano de Investimento do Setor de Sementes. Apresentada pelo Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar e pelo Conselho Nacional de Sementes Agrícolas (NASC), com o apoio técnico da Aliança para uma Revolução Verde na África (AGRA), a nova estratégia cobrirá o período de 2025 a 2030.
Esta estratégia visa organizar ainda mais a cadeia produtiva de sementes, fortalecendo a oferta e o acesso dos produtores a material vegetal de qualidade, acessível e adaptado às realidades do país.
Esta estratégia visa organizar ainda mais a cadeia produtiva de sementes, fortalecendo a oferta e o acesso dos produtores a material vegetal de qualidade, acessível e adaptado às realidades do país.O plano envolve um investimento total de 2,48 bilhões de nairas (5,76 milhões de dólares) para modernizar o sistema de sementes e apoiar o desenvolvimento agrícola. Quase 65% desse montante serão dedicados à melhoria das variedades e ao controle de qualidade.
"O país agora tem um plano claro, ambicioso e baseado em evidências, capaz de catalisar investimentos, estimular a inovação e fortalecer a confiança dos produtores. Estamos ansiosos para apoiar sua implementação", comentou a Dra. Esther Ibrahim, da AGRA Nigéria.
Para o Dr. Francis M. Mwatuni, responsável pela análise dos sistemas de sementes na AGRA, o lançamento desta estratégia e do seu plano de implementação ilustra a força dos dados factuais e das parcerias na construção de sistemas de sementes mais eficientes. “Graças ao SeedSAT, trabalhámos em estreita colaboração com as instituições nacionais para identificar as limitações e definir prioridades claras e operacionais. A Nigéria é um exemplo concreto de como esta ferramenta permite reforçar a coordenação, melhorar a qualidade e construir a confiança dos produtores”, declarou.
Segundo os dados oficiais apresentados durante a conferência SeedConnect, apenas 11% dos produtores de milho e 3% dos cultivadores de feijão-frade utilizam variedades melhoradas, uma situação que limita os rendimentos e aprofunda um importante défice nacional.
Segundo os dados oficiais apresentados durante a conferência SeedConnect, apenas 11% dos produtores de milho e 3% dos cultivadores de feijão-frade utilizam variedades melhoradas, uma situação que limita os rendimentos e aprofunda um importante défice nacional. A estratégia visa prioritariamente o milho, para o qual pretende aumentar a produção de sementes certificadas de 50% para 70%, mas abrange também outras culturas estratégicas como o arroz (de 44% para 60%), o sorgo, a soja, o inhame, o amendoim e o trigo. As intervenções incidirão igualmente sobre a produção comercial de sementes, as reformas regulamentares e a digitalização do planeamento através de ferramentas como o SeedTracker e o SeedCodex.
“A semente é o fundamento da agricultura. Com esta estratégia, a Nigéria demonstra a sua determinação em colmatar as lacunas de produtividade, reduzir a sua fatura de importação e dar a milhões de agricultores as ferramentas necessárias para prosperar”, afirmou Abubakar Kyari, ministro da Agricultura.
Uma reforma crucial
Esta folha de rota chega num momento importante. Com mais de 230 milhões de pessoas para alimentar, a Nigéria precisa aumentar a sua produção e reduzir uma fatura anual de importação alimentar que atingiu 5,5 mil milhões de dólares entre 2021 e 2023.
O país dispõe de um potencial agrícola importante, mas os pequenos produtores, que representam cerca de 80% dos agricultores, continuam penalizados por um acesso limitado ao crédito, aos insumos e a sementes de qualidade. As redes de troca informais ainda dominam a distribuição, enquanto os mecanismos de certificação permanecem frágeis e a informação circula pouco.
O país dispõe de um potencial agrícola importante, mas os pequenos produtores, que representam cerca de 80% dos agricultores, continuam penalizados por um acesso limitado ao crédito, aos insumos e a sementes de qualidade.
O país dispõe de um potencial agrícola importante, mas os pequenos produtores, que representam cerca de 80% dos agricultores, continuam penalizados por um acesso limitado ao crédito, aos insumos e a sementes de qualidade.
De acordo com os resultados da análise realizada com a ferramenta de avaliação dos sistemas de sementes SeedSAT, a cadeia de sementes nigeriana funciona a apenas 45% do seu desempenho global. Esta situação trava a melhoria dos rendimentos num contexto em que a procura nacional cresce mais rapidamente do que a produção. A título de exemplo, a produção de milho não consegue satisfazer uma procura estimada entre 12 e 15 milhões de toneladas, criando um défice estrutural de cerca de 4 milhões de toneladas, segundo os dados oficiais.
Desafios e perspetivas
Neste contexto, a implementação da nova estratégia poderá contribuir para clarificar o quadro regulamentar e estruturar melhor um mercado de sementes ainda fragmentado. O objetivo declarado é melhorar o acesso dos produtores a material vegetal de qualidade, condição indispensável para aumentar os rendimentos num ambiente caracterizado pela variabilidade climática, pelo esgotamento dos solos e pelo aumento contínuo das necessidades alimentares.
A eficácia desta reforma dependerá, contudo, de vários fatores estruturais. Por um lado, o desenvolvimento do quadro regulamentar deverá ser acompanhado de um ambiente favorável aos investimentos privados, nomeadamente na produção de Early Generation Seeds, na certificação, na distribuição ou na investigação varietal. Uma melhor coordenação entre os atores públicos e privados também será necessária para assegurar volumes, harmonizar normas e melhorar a fiabilidade da cadeia de abastecimento.
Por outro lado, o sucesso do plano dependerá em grande parte da capacidade de reforçar a formação e a informação dos agricultores.
Por outro lado, o sucesso do plano dependerá em grande parte da capacidade de reforçar a formação e a informação dos agricultores. Num país onde a maioria dos produtores ainda se abastece através de circuitos informais, a sensibilização para o papel das sementes de qualidade continua a ser um desafio central. Os serviços de extensão rural, as redes de agrodistribuidores e as ferramentas digitais destacadas na estratégia poderão ajudar a melhorar o conhecimento das variedades disponíveis e a promover escolhas mais informadas.
Além disso, a aplicação harmonizada das reformas ao nível federal e estadual será um teste importante. A diversidade dos contextos agroecológicos, a presença de atores privados com capacidades variáveis e as limitações logísticas próprias das regiões rurais representam fatores que influenciarão o impacto real desta folha de rota na produtividade agrícola.













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