Na África Ocidental, o Gana é o terceiro maior fornecedor de peixe, depois da Nigéria e do Senegal. O país, que também apresenta um dos maiores níveis de consumo per capita, enfrenta um déficit de produção que está tentando suprir.
A Câmara de Aquicultura do Gana (COA) anunciou que, no dia 25 de fevereiro, lançará o Blue Food Innovation Hub, um centro de inovação destinado a apoiar o desenvolvimento da cadeia de valor da aquicultura e da pesca, em parceria com o Fórum Econômico Mundial (WEF). O anúncio foi feito em um comunicado de imprensa publicado no dia 24 de fevereiro.
De acordo com a organização, o centro de inovação foi projetado para reforçar a disseminação de tecnologias e melhorar as competências dos produtores. Ele também visa incentivar a colaboração entre startups, pesquisadores, investidores e parceiros técnicos nos setores de aquicultura e pesca, a fim de criar soluções para desafios relacionados aos custos dos insumos, à resiliência climática e ao acesso aos mercados.
"Este hub permitirá encontrar soluções para alguns desafios importantes, como a falta de acesso a financiamento e mercados, a baixa adoção de tecnologias e as lacunas de conhecimento dos atores do setor. Ele transformará o setor de alimentos azuis, especialmente a aquicultura continental, e oferecerá às pequenas empresas que têm dificuldades em escalar os recursos necessários para se desenvolverem", afirmou Jacob Adzikah, diretor-geral da COA, em declarações transmitidas pela mídia local My Joy Online.
Mobilizar 10 milhões $ até 2036
A COA tem como objetivo mobilizar cerca de 10 milhões de dólares de investimentos nos próximos dez anos, por meio da operacionalização do Blue Food Innovation Hub. Segundo Adzikah, esses recursos serão utilizados para apoiar empresas que operam na pesca e aquicultura, promover práticas de aquicultura sustentável e apoiar a transformação local para fortalecer a competitividade nos mercados regionais e internacionais.
"O Hub lançará, em primeira instância, um programa de aceleração para apoiar um conjunto de startups e PME, a fim de torná-las prontas para o investimento e capazes de escalar", diz o comunicado da COA. De forma mais ampla, essa nova iniciativa acompanha os esforços já realizados por Acra para desenvolver a aquicultura e as práticas de pesca sustentável.
Em outubro de 2025, por exemplo, a vice-presidente Jane Naana Opoku-Agyemang anunciou a intenção do governo de criar um fundo de desenvolvimento para melhorar o acesso ao financiamento na aquicultura, fortalecer as infraestruturas e acelerar a pesquisa e o transferência de tecnologia no setor em crescimento.
Anteriormente, em dezembro de 2025, o Ministério da Pesca e Aquicultura anunciou ter iniciado discussões com pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), no Canadá, como parte de uma estratégia para fortalecer a governança e a sustentabilidade do setor pesqueiro.
De acordo com dados compilados pela FAO, as capturas de peixe realizadas nas águas continentais e marítimas do país diminuíram 22,6%, caindo de 496.770 toneladas em 1999 para 384.370 toneladas em 2023. Por outro lado, a produção de aquicultura no Gana quase dobrou, passando de 52.360 toneladas em 2019 para 100.000 toneladas em 2023.
No total, a produção de peixe na ex-Costa do Ouro foi estimada em 484.412 toneladas em 2023, das quais 44% foram destinadas à exportação, enquanto o consumo aparente foi de cerca de 798.128 toneladas, segundo a FAO. As últimas estimativas oficiais do Ministério da Pesca e Aquicultura, feitas em 2026, apontam para um déficit anual de fornecimento de peixe fresco de quase 700.000 toneladas no país.
Stéphanas Assocle













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