O governo sul-africano anuncia estratégia para vacinar todo o gado contra a febre aftosaA campanha de vacinação pode envolver mais de 7 milhões de animais, com a importação de 2 milhões de doses de vacina prevista para fevereiro
A febre aftosa é um dos principais desafios da indústria pecuária na África do Sul. A epizootia continua difícil de controlar no país, apesar dos esforços empreendidos ao longo de uma década.
Na África do Sul, o governo pretende implementar uma estratégia global de vacinação de todo o gado contra a febre aftosa (Foot and Mouth Disease-FMD). O anúncio foi feito na quarta-feira, 26 de novembro, por John Steenhuisen, ministro da Agricultura.
Segundo o ministro, a intenção desta medida é obter da Organização Mundial de Saúde Animal o status de "zona livre com vacinação". Detalhadamente, esse plano de vacinação começará pelas províncias mais afetadas: KwaZulu-Natal, Gauteng, Estado Livre, Mpumalanga e Noroeste. A primeira região é o principal epicentro dessa doença viral altamente contagiosa, com 180 dos 274 focos não resolvidos registrados em nível nacional.
“Apesar da vacinação de 931.200 animais com vacinas adquiridas pelo governo nos últimos três meses, os movimentos descontrolados de animais continuam a comprometer os esforços de controle da doença e prolongam a crise", diz Steenhuisen. No país, maior produtor de carne bovina do continente, essa ampla campanha de imunização deve atingir mais de 7 milhões de animais.
Em face dessa ambição, as autoridades planejam importar 2 milhões de doses de vacinas até fevereiro do próximo ano e continuar os esforços para estabelecer uma linha de produção doméstica. “Para reduzir a dependência de vacinas importadas, uma nova unidade de produção de vacinas de porte médio está em processo de criação como parte do programa nacional de reforço da biossegurança. O objetivo é produzir, por meio de uma parceria entre o governo e a indústria, 1,5 milhão de doses adicionais”, afirma.
Em julho passado, o Conselho de Pesquisa Agrícola (Agricultural Research Council/ARC) anunciou o início do processo para a instalação de uma unidade moderna de produção em 2026.
Enquanto o país luta para conter a febre aftosa há vários anos, o desafio da estratégia das autoridades é garantir a segurança dos mercados de exportação de carne a longo prazo, especialmente para países como China, Egito, Emirados Árabes Unidos e outros países do Oriente Médio.
Além da carne, trata-se também de reduzir o risco para a reputação de todos os atores da indústria de derivados de bovinos. Por exemplo, em 2019, a China suspendeu temporariamente suas importações de lã sul-africana devido a preocupações relacionadas à propagação da febre aftosa.
Apesar dos desafios relacionados ao FMD, as exportações de carne bovina fresca e congelada aumentaram 30%, para 38.657 toneladas em 2024, de acordo com dados do Conselho Nacional de Marketing Agrícola (NAMC).
Espoir Olodo













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