A UIT considera a cibersegurança como um pilar estratégico para os países que querem aproveitar plenamente os benefícios da transformação digital. Nesse contexto, vários países africanos apostam na cooperação regional e internacional para fortalecer seus dispositivos.
O governo moçambicano está explorando uma parceria com os Estados Unidos da América nos campos de cibersegurança e proteção de dados pessoais. As perspectivas de colaboração foram discutidas na sexta-feira, 13 de fevereiro, durante a visita de uma delegação da embaixada dos Estados Unidos ao Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC).
A parceria e o apoio técnico previstos envolveriam, entre outros, o fortalecimento das capacidades institucionais do setor. Lourino Chemane, presidente do conselho de administração do INTIC, destacou a necessidade de apoio técnico para consolidar o CSIRT (Equipe Nacional de Resposta a Incidentes de Cibersegurança), a fim de garantir uma resposta mais rápida e eficaz aos incidentes, em um contexto de crescente digitalização dos serviços e da economia.
A delegação americana também expressou interesse em aprofundar seu conhecimento sobre um decreto adotado em 2025, que regula o registro e a concessão de licenças para prestadores intermediários de serviços eletrônicos e operadores de plataformas digitais em Moçambique.
Intensificação da Cooperação Internacional
Esse estreitamento de laços ocorre em um contexto de aceleração da transformação digital. As autoridades moçambicanas estão apostando nas TICs para apoiar o desenvolvimento socioeconômico. A reunião com a delegação americana aconteceu após a primeira Conferência Nacional sobre Transformação Digital, realizada de 11 a 12 de fevereiro, que marcou o lançamento dos trabalhos de elaboração da estratégia nacional de transformação digital.
Em novembro de 2025, Maputo já havia assinado um protocolo de acordo com o Togo na área de cibersegurança, durante a 1ª Conferência da Semana Internacional de Cibersegurança de Moçambique. O acordo cobre, entre outras coisas, o fortalecimento das capacidades técnicas e operacionais do CSIRT dos dois países, o compartilhamento de informações sobre ameaças e vulnerabilidades emergentes, bem como a troca de boas práticas.
Moçambique também está entre os 21 países africanos (de um total de 72) que assinaram a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético, no final de outubro de 2025, em Hanói. Esse marco visa fortalecer a cooperação internacional, a assistência técnica e o desenvolvimento de capacidades, especialmente nos países em desenvolvimento.
O país já havia ratificado, em 2019, a Convenção da União Africana sobre Cibersegurança e Proteção de Dados Pessoais (Convenção de Malabo). Em fevereiro de 2024, também foi convidado a aderir à Convenção de Budapeste sobre Crime Cibernético. Esses diferentes instrumentos oferecem a Moçambique plataformas de cooperação em um contexto de intensificação das ameaças digitais.
Estados Unidos: um parceiro estratégico?
Nesse contexto, os Estados Unidos surgem como um parceiro estratégico potencial. De acordo com o Índice Global de Cibersegurança 2024 da União Internacional das Telecomunicações (UIT), o país está entre os modelos globais, com uma pontuação geral de 99,86 de 100. Além disso, abriga várias empresas de destaque na área, como a Cybastion. Esta última já está presente em vários países africanos, como Guiné, Gabão, Costa do Marfim, Burkina Faso, Libéria e Benin.
Moçambique, por sua vez, ocupa o terceiro nível em cinco do índice 2024, com uma pontuação de 66,05 de 100. Existem margens de progresso, especialmente nas áreas de medidas legais, técnicas e no desenvolvimento de capacidades, embora os resultados sejam considerados relativamente satisfatórios no que diz respeito à organização e à cooperação.
Neste estágio, a parceria prevista entre Maputo e Washington ainda está em fase de discussões. Nenhum acordo formal foi ainda anunciado publicamente. Os próximos passos ajudarão a avaliar o alcance concreto desse estreitamento de laços em um ambiente digital cada vez mais exposto aos riscos. Segundo a Interpol, os incidentes de cibersegurança na África causaram perdas financeiras superiores a 3 bilhões de dólares entre 2019 e 2024.
Isaac K. Kassouwi













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