As autoridades do Chade aumentaram recentemente a pressão sobre os operadores de telecomunicações relativamente à qualidade dos serviços. Uma delegação da Maroc Telecom, empresa-mãe da Moov Africa, foi recebida há alguns dias.
O operador de telecomunicações Airtel Chade apresentou às autoridades um novo plano de investimento destinado a melhorar a qualidade dos serviços prestados aos consumidores, perante a crescente pressão dos utilizadores. As autoridades permanecem céticas, considerando que a empresa tem o hábito de apresentar planos semelhantes sem nunca os concretizar.
O anúncio ocorreu durante uma reunião realizada na quarta-feira, 24 de junho, entre o ministro das Telecomunicações, Haliki Choua Mahamat, e uma delegação do grupo Airtel Africa, liderada pelo responsável regional para a África francófona, Anwar Soussa. O Ministério divulgou um comunicado sobre o encontro nas redes sociais na quinta-feira, 25 de junho.
Brahim Nallar, diretor-geral da Airtel Chade, indicou que as infraestruturas técnicas do operador serão reforçadas para melhorar a qualidade da rede e introduzir novos serviços. Contudo, não foram divulgados detalhes adicionais sobre este programa de investimento.
Promessas repetidas
A Airtel Chade já tinha apresentado em setembro de 2025 um plano de investimento de 50 mil milhões de francos CFA (86,77 milhões de dólares) destinado a melhorar a qualidade do serviço. Este programa, cuja execução estava prevista até junho de 2026, foi submetido à Autoridade Reguladora das Comunicações Eletrónicas e dos Correios (ARCEP).
Segundo o regulador, o plano estava estruturado em três fases. A primeira, de curto prazo, previa o reforço das ligações por micro-ondas, a substituição de geradores obsoletos, a melhoria da cobertura 4G em 89 locais, o aumento da capacidade da rede de N’Djamena para 100G, bem como a modernização da fibra ótica.
A segunda fase, com prazo definido até ao final de janeiro de 2026, incluía a implementação da fibra ótica ligando Massakory, Ati, Dop Dop e Abéché, a expansão da cobertura rádio para mais 306 locais, assim como a continuação do projeto de fibra metropolitana em N’Djamena.
Por fim, a última etapa previa a construção de 114 novos locais em zonas ainda sem cobertura, a expansão da 4G em 170 locais, o lançamento da fibra entre Massakory e Rig Rig, bem como a criação de uma ligação entre N’Djamena e Sarh através de Dourbali e Bousso. Esta fase incluía também a substituição do núcleo da rede fornecido pela Ericsson por novos equipamentos Huawei.
Para além dos anúncios, chegou a hora dos resultados
Neste contexto, as autoridades do Chade esperam da Airtel Chade, para além dos anúncios, resultados concretos em termos de satisfação dos consumidores, acesso aos serviços e melhoria da cobertura da rede, sobretudo nas zonas mais remotas do país.
Além disso, o ministro apelou ao operador para rever o seu modelo de funcionamento, considerado pouco favorável a uma melhoria rápida da qualidade do serviço. Segundo ele, muitas decisões operacionais continuam dependentes da validação da sede do grupo, o que atrasa a resolução dos problemas. Criticou igualmente o recurso à subcontratação para a gestão dos equipamentos, do pessoal técnico e da manutenção dos locais.
Relativamente à fibra ótica, o ministro reafirmou a necessidade de a Airtel Chade se ligar à infraestrutura implementada pelo Estado. Acrescentou que os troços destinados a servir o Leste e o Norte do país deverão entrar em funcionamento em breve.
Recorde-se que o governo adotou recentemente uma política de «tolerância zero» face às falhas dos operadores de telecomunicações. N’Djamena não exclui, neste contexto, a possibilidade de substituir as lideranças locais dos dois principais operadores caso não haja uma melhoria significativa. O quadro jurídico já prevê um conjunto de sanções graduais, desde uma advertência formal até multas que podem atingir 5% do volume de negócios anual (duplicadas em caso de reincidência), bem como medidas mais severas, como a suspensão da licença por um mês, a redução da sua duração ou a sua retirada definitiva.
Isaac K. Kassouwi













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