Bancos marfinenses detêm 1800 bilhões de FCFA (3,18 bilhões de dólares) da dívida do Senegal, o que representa 42% das subscrições da dívida sengalesa no mercado regional.
Em meio à crise da dívida em Dakar, a S&P adverte sobre um aumento da exposição dos bancos costa-marfinenses à problemática dívida sengalesa.
S&P alerta para o aumento da exposição dos bancos da Costa do Marfim à problemática dívida do Senegal, apesar da manutenção da nota 'BB/B' de Abidjan. A crise da dívida em Dakar aumenta os riscos regionais para a UEMOA. Uma perda duradoura de confiança na assinatura de Dakar pode intensificar as tensões de liquidez na União e afetar indiretamente os balanços dos bancos marfinenses.
A Costa do Marfim manteve sua classificação soberana 'BB/B' da S&P Global Ratings, mas a agência americana alerta para o aumento da exposição do setor bancário marfinense à dívida pública senegalesa, enquanto Dakar enfrenta uma grande crise da dívida.
A perspectiva permanece estável, mas o ambiente regional está se tornando mais incerto, adverte a agência de classificação, que na sexta-feira, 14 de novembro de 2025, rebaixou o país da Téranga, agora ao nível 'CCC+', com necessidades de financiamento que chegam a 29% do PIB somente em 2026.
S&P destaca que os bancos marfinenses se tornaram os principais compradores de títulos senegaleses no mercado regional. O volume detido ou mantido pelas instituições com sede em Abidjan atingiu 1800 bilhões de FCFA (3,18 bilhões de dólares) em setembro de 2025, cerca de 3,1% do PIB.
Segundo a agência, esse rápido aumento é principalmente impulsionado pelo papel de intermediação dos bancos marfinenses, que atuam como intermediários para investidores internacionais que desejam acessar o mercado de títulos da UEMOA. Eles agora representam 42% das subscrições da dívida senegalesa, um nível inédito na União.
Este alerta surge enquanto a S&P acabou de rebaixar a nota soberana do Senegal para 'CCC+' em moeda estrangeira, devido a uma dívida reavaliada em 119% do PIB, necessidades de financiamento recorde e incerteza em torno das discussões com o FMI. Dakar agora depende fortemente do mercado regional, onde as taxas excedem 7%, e deve refinanciar em 2026 o equivalente a 29% do seu PIB, incluindo 2600 bilhões de FCFA de dívida externa.
A agência estima que as condições de financiamento podem piorar ainda mais na ausência de um acordo rápido com o Fundo, já que o primeiro-ministro senegalês, Ousmane Sonko, foi bastante claro: não há reestruturação à vista.
Apesar dessas tensões, a S&P considera que o risco de contágio para a Costa do Marfim é limitado. A agência lembra que apenas 2% dos títulos marfinenses são detidos por investidores não residentes, em comparação com uma dependência muito maior no Senegal. Os bancos marfinenses, mais sólidos e melhor capitalizados do que a média regional, possuem um nível de liquidez que sustenta a demanda interna por títulos do governo. Seu índice de solvência, de 16,3% em junho de 2025, está bem acima do mínimo da UEMOA. O mercado marfinense continua dominado por investidores locais e se beneficia do papel estabilizador do BCEAO e da ancoragem do franco CFA ao euro.
A S&P também destaca a estratégia ativa do governo marfinense em termos de gestão da dívida, citando especialmente uma série de operações inovadoras realizadas desde 2024. A Costa do Marfim emitiu o primeiro empréstimo sustentável africano garantido pelo Banco Mundial, um Samurai bond sustentável apoiado pelo JBIC, o primeiro título em francos CFA colocado em um mercado internacional, bem como uma importante recompra de eurobonds. A agência considera que essas operações, juntamente com o acesso contínuo a financiamentos concessionais, permitiram conter o aumento do custo da dívida.
A perspectiva estável atribuída ao país é um sinal da confiança da S&P nas perspectivas econômicas marfinenses, a continuidade das políticas após a reeleição do presidente Ouattara e a forte dinâmica dos setores de cacau, ouro e hidrocarbonetos. A agência prevê um crescimento médio de 6,5% entre 2025-2028, alimentado pela expansão das capacidades portuárias e rodoviárias, a industrialização do setor agrícola e a intensificação dos projetos de petróleo Baleine e Calao.
No entanto, a S&P alerta que a Costa do Marfim continua exposta a riscos políticos internos ligados à sucessão de Alassane Ouattara, bem como a riscos regionais, especialmente se a situação senegalesa se deteriorar ainda mais. Uma perda duradoura de confiança na assinatura de Dakar pode intensificar as tensões de liquidez na UEMOA e afetar indiretamente os balanços dos bancos marfinenses.
Atualmente, a agência acredita que os fundamentos marfinenses - crescimento sustentado, acesso privilegiado a financiadores internacionais e um mercado doméstico profundo - são suficientes para manter a estabilidade da nota. Mas o caso senegalês, descrito pela S&P como um "risco emergente para a União", permanecerá um ponto importante a ser observado nos próximos meses.
Fiacre E. Kakpo













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