Num contexto de explosão das emissões soberanas dentro da UEMOA, a BOAD reivindica seus investimentos em títulos como uma escolha de gestão de liquidez. Uma posição observada de perto, enquanto os Estados multiplicam as captações no mercado regional.
Em uma nota enviada aos investidores no início da semana, o banco, sediado em Lomé, destacou um ponto importante: a compra de títulos públicos faz parte exclusivamente de sua política de gestão de liquidez. Ou seja, não se trata de um apoio orçamentário disfarçado aos Estados membros, mas de uma alocação de ativos com o objetivo de otimizar sua tesouraria. A instituição, que financia os oito países da UEMOA (União Econômica e Monetária da África Ocidental), recorda que, em seus mais de 50 anos de operação, nunca houve um default soberano.
O contexto, porém, dá outro significado a essa estratégia. Desde o ano passado e, ainda mais, desde o início de 2026, os Estados aceleraram suas captações no mercado regional. O Senegal, sob pressão orçamentária crescente e com sua dívida pública reavaliada para cima, já mobilizou mais de 600 bilhões de francos CFA (cerca de 1,07 bilhão de dólares) em 2026.
Fato relevante: antes da última emissão de dívida do Senegal, cerca de um terço dos 598 bilhões de FCFA levantados até agora foram adquiridos a partir de Lomé. Uma concentração que levanta questionamentos. Segundo vários analistas, nenhuma instituição tradicional, exceto a BOAD, teria uma liquidez suficiente para investir em tal escala na dívida senegalesa na praça de Lomé.
Um precedente ocorrido com o Benin alimenta ainda mais essas especulações. No final do ano passado, mais de 100 bilhões de francos CFA foram mobilizados a partir do Togo, em uma única operação de dívida do Benin — um volume incomum para Lomé.
Em uma união monetária em que a base de investidores ainda é concentrada (80% do mercado são bancos comerciais e um número crescente de seguradoras e fundos de pensão), a presença de um investidor institucional capaz de absorver volumes significativos se torna um fator de estabilização implícita. As emissões regionais devem ultrapassar 15.000 bilhões de francos CFA em 2026, um aumento significativo em relação a 2025. Após ultrapassarem os 11.000 bilhões de FCFA no ano passado, estas captações continuarão sendo impulsionadas pelas emissões da Costa do Marfim e do Senegal.
Fiacre E. Kakpo













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