Após vários meses de estabilização, o Egito obtém um novo desembolso do FMI. Embora a inflação tenha recuado e as reservas se recuperem, as reformas estruturais – especialmente as privatizações – avançam mais lentamente do que o esperado.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou na quarta-feira, 25 de fevereiro, que concluiu duas novas revisões do programa de reformas econômicas do Egito, abrindo caminho para o desembolso de cerca de 2,3 bilhões de dólares. Uma lufada de ar fresco para uma economia que está saindo gradualmente de uma grave crise cambial e de uma inflação histórica.
Em detalhes, quase 2 bilhões de dólares serão liberados no âmbito do programa de empréstimo de 46 meses firmado com o Cairo, após a validação da quinta e sexta revisões. A isso somam-se 273 milhões de dólares no âmbito da Facilidade para a Resiliência e a Sustentabilidade (RSF). No total, cerca de 5,2 bilhões de dólares já foram desembolsados no âmbito dos dois dispositivos.
Um programa expandido em meio a uma tempestade econômica
O Egito assinou em dezembro de 2022 um acordo inicial de 3 bilhões de dólares com o FMI. Diante do agravamento dos desequilíbrios – inflação galopante, escassez de divisas, pressão sobre a libra egípcia – o programa foi expandido para 8 bilhões de dólares em março de 2024. A previsão é que o programa termine em dezembro.
Nos últimos meses, os indicadores macroeconômicos mostraram sinais de melhora. A inflação, que havia atingido um pico de 38% em setembro de 2023, caiu para 11,9% em janeiro, em termos anuais, para os preços urbanos. As tensões no mercado cambial também diminuíram.
Segundo o FMI, essa estabilização é atribuída a políticas monetárias e fiscais restritivas, combinadas com uma maior flexibilidade da taxa de câmbio. O país também se beneficiou de receitas turísticas recordes, transferências de trabalhadores expatriados e importantes acordos de investimentos firmados com países do Golfo, como os Emirados Árabes Unidos.
Reformas estruturais consideradas incompletas
Apesar dos avanços, o FMI permanece cauteloso. Em seu comunicado, a instituição ressalta que a implementação das reformas estruturais continua "desigual", especialmente no que diz respeito à redução do papel do Estado na economia.
A venda de ativos públicos, um pilar central do acordo com o FMI, tem avançado mais lentamente do que o previsto. O FMI também aponta para o alto nível da dívida pública e as grandes necessidades de financiamento, que continuam a pressionar as margens orçamentárias e as perspectivas de crescimento de médio prazo.
Em agosto, as autoridades egípcias adotaram emendas legislativas destinadas a acelerar as privatizações e atrair mais investimentos privados. Resta saber se essas medidas conseguirão consolidar a estabilização em andamento, enquanto a economia egípcia permanece vulnerável a choques externos e tensões regionais.
Fiacre E. Kakpo













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