O relatório destaca que os principais motores do crescimento em África são o desenvolvimento das infraestruturas, a transformação digital, o afluxo sustentado de investimento direto estrangeiro, a expansão dos mercados regionais e uma integração mais profunda nas cadeias de valor globais.
Treze países africanos deverão registar um crescimento superior a 6% em 2026, num contexto marcado pelo recuo da inflação, estimou a Economist Intelligence Unit (EIU) num relatório publicado no final de dezembro passado. Intitulado “Africa outlook 2026: Growth and opportunity amid geopolitical shifts”, o documento especifica que estes países se situam essencialmente nas sub-regiões ocidental (Senegal, Guiné, Libéria, Costa do Marfim, Gana, Togo, Níger) e oriental (Etiópia, Uganda, Tanzânia, Ruanda). Apenas dois deles se encontram fora destas sub-regiões, nomeadamente a Líbia (África do Norte) e Moçambique (África Austral).
A África Oriental e a África Ocidental deverão também continuar a ser as sub-regiões com o crescimento mais rápido em 2026. De forma mais geral, o crescimento das economias do continente será impulsionado por um conjunto interdependente de fatores estruturais, incluindo o desenvolvimento das infraestruturas, a rápida urbanização, a transformação digital acelerada, o afluxo sustentado de investimento direto estrangeiro, a expansão dos mercados regionais e uma integração mais profunda nas cadeias de valor globais.
Na África Ocidental, estes motores serão complementados por importantes projetos de investimento nos setores dos hidrocarbonetos, das energias renováveis e da exploração mineira, que reforçarão a dinâmica de crescimento a médio prazo.
A África do Sul, por sua vez, deverá apresentar um crescimento relativamente modesto em 2026 (entre 1,5% e 3%). A atividade económica da nação arco-íris será travada por taxas de juro ainda elevadas, bem como pelos efeitos das tarifas aduaneiras norte-americanas de 30% sobre as suas exportações, que pesarão tanto sobre o desempenho das exportações como sobre as despesas de investimento. No entanto, os efeitos de base deverão sustentar uma ligeira aceleração do crescimento do país mais industrializado do continente no segundo semestre de 2026, à medida que o impacto das tarifas comece a atenuar-se em comparação com o final de 2025.
O relatório sublinha, por outro lado, que o continente continuará a enfrentar dificuldades para estabilizar o peso da sua dívida, que atingiu níveis críticos em várias economias ao longo da última década. Muitos países permanecem expostos a flutuações desfavoráveis das condições de financiamento globais, dos preços das matérias-primas e das taxas de câmbio, e nada indica verdadeiramente que a comunidade internacional esteja disposta ou seja capaz de coordenar uma resposta eficaz ao sobre-endividamento do continente.
O risco de um agravamento e de uma maior propagação do sobre-endividamento em 2026 aumenta, o que exigirá novas reformas orçamentais e estruturais. Estas deverão assumir, provavelmente, a forma de uma disciplina orçamental mais rigorosa, de austeridade e de políticas destinadas a melhorar o clima de investimento, de uma maior liberalização dos regimes comerciais e cambiais, bem como de uma aceleração dos programas de privatização. Economias como a Etiópia, Moçambique, a Tunísia e a Zâmbia estão entre aquelas que poderão enfrentar pressões financeiras particularmente intensas em 2026.
Walid Kéfi













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