O relatório sublinha que os países confrontados com a necessidade mais urgente de criar empregos para reduzir o desemprego jovem são também os que apresentam pior desempenho em termos de clima de negócios.
O Ruanda continua a ser o país africano com o melhor clima de negócios em África, de acordo com o Business Ready 2025 (B-Ready), publicado no final de dezembro de 2025 pelo Banco Mundial. Trata-se da segunda edição deste ranking, que sucede ao Doing Business, suspenso em 2021 na sequência da identificação de irregularidades nos dados das edições de 2018 e 2020. Esta nova iniciativa de recolha e análise de dados avalia o clima global dos negócios e do investimento com base, sobretudo, num inquérito realizado junto de 58 000 empresas e 5 000 especialistas em 101 economias.
O B-Ready disponibiliza um conjunto de dados detalhados e um quadro de referência que permite identificar os fatores que favorecem o desenvolvimento do setor privado, indo além dos resultados ao nível das empresas para integrar o bem-estar dos trabalhadores, dos consumidores e a qualidade do ambiente. O índice combina medidas de jure (leis e regulamentos) e de facto (práticas reais), fornecendo dados simultaneamente comparáveis entre países e relevantes no contexto nacional.
O ranking está estruturado em torno de dez domínios que abrangem o ciclo de vida de uma empresa, desde a sua criação, passando pela sua exploração (ou expansão), até ao seu encerramento (ou reorganização): criação de empresas, implantação, serviços de utilidade pública, emprego, serviços financeiros, comércio internacional, fiscalidade, resolução de litígios, mercados e concorrência, e insolvência. Cada um destes domínios é avaliado com base em três pilares que refletem os principais instrumentos utilizados pelos países para apoiar o setor privado.
O primeiro pilar avalia o «quadro regulamentar», analisando as regras e regulamentos que as empresas devem cumprir durante a sua criação, funcionamento e cessação de atividade. O segundo pilar mede a «qualidade dos serviços públicos» implementados pelo governo para facilitar o cumprimento da regulamentação, bem como as instituições e infraestruturas que apoiam a atividade empresarial, como plataformas digitais, administração fiscal ou infraestruturas ligadas ao comércio.
O Benim e o Senegal integram o Top 10
O terceiro pilar incide sobre a «eficiência operacional», avaliando a experiência concreta das empresas face aos procedimentos, prazos e custos de conformidade. A cada país analisado são atribuídas pontuações entre 0 (a pior) e 100 (a melhor) para os três pilares e os dez domínios. As pontuações dos três pilares são agregadas para obter a classificação global.
Em África, 29 países foram abrangidos pelo ranking este ano, mais 14 do que em 2024. Entre os novos países incluídos encontram-se o Benim, o Senegal, a Tunísia, a Namíbia e a República Democrática do Congo. O Ruanda mantém-se como o país mais favorável aos negócios à escala continental, com uma pontuação global de 67,94 pontos. O país das mil colinas apresenta bons resultados nos pilares «quadro regulamentar» (72,54 pontos) e «eficiência operacional» (71,47 pontos), mas um desempenho mais modesto no pilar «qualidade dos serviços públicos» (59,81 pontos).
Marrocos, com uma pontuação global de 63,44 pontos, ocupa o segundo lugar em África, enquanto a República das Maurícias (63,20 pontos) desce uma posição e fica em terceiro lugar. O Togo (61,52 pontos) surge na quarta posição africana. Dois novos países entraram diretamente no Top 10 africano: o Benim, que ocupa o quinto lugar com uma pontuação global de 60,21 pontos, e o Senegal (9.º, com 56,05 pontos). Entre os países avaliados já na primeira edição do B-Ready, a Costa do Marfim mantém-se na décima posição africana, com uma pontuação global de 54,43 pontos.
De forma geral, o ranking B-Ready 2025 revela que as economias que mais necessitam de criar empregos em maior número e de melhor qualidade são aquelas que apresentam o clima de negócios mais frágil. Os países com uma mão de obra jovem e baixos níveis de crescimento são, em regra, os que registam maiores atrasos. A África Subsaariana concentra a maioria das economias com mão de obra jovem, o que torna a região particularmente exposta aos riscos associados a um clima de negócios desfavorável.
Walid Kéfi













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