O Libéria torna-se o primeiro país da África Ocidental a estabelecer um quadro de cooperação sanitária com os EUA. O objetivo é melhorar os sistemas laboratoriais nacionais e regionais e modernizar a cadeia de abastecimento de medicamentos e produtos de saúde essenciais.
O Libéria e os Estados Unidos assinaram, na terça-feira, 9 de dezembro de 2025, um memorando de entendimento (MoU) no valor de 124 milhões de dólares. Este acordo visa reforçar o sistema de saúde do país da África Ocidental, que se torna assim o primeiro da sub-região a lançar as bases deste tipo de cooperação com os EUA e o terceiro na África Subsaariana, depois do Quénia e do Ruanda.
Com uma duração de cinco anos, o acordo deverá permitir aprofundar a vigilância das doenças e responder eficazmente às epidemias, melhorar os sistemas de laboratórios nacionais e regionais, modernizar a cadeia de abastecimento de medicamentos e produtos de saúde essenciais e reforçar os recursos humanos do setor da saúde.
A isto juntam-se o desenvolvimento de sistemas integrados de informação sanitária digital e investimentos estratégicos nos serviços de saúde materna, infantil e de combate às doenças infeciosas.
Este MoU enquadra-se na estratégia “America First” do governo Trump, que « apresenta uma visão global destinada a tornar os Estados Unidos mais seguros, mais fortes e mais prósperos. Protegerá o território nacional impedindo que epidemias de doenças infeciosas atinjam as costas americanas; reforçará as nossas relações bilaterais através de acordos plurianuais », refere o Departamento de Estado norte-americano.
Recorde-se que, logo à sua chegada ao poder em janeiro de 2025, Donald Trump suspendeu drasticamente a ajuda internacional dos EUA, embora os Estados Unidos sejam o principal financiador de numerosos programas de acesso à saúde em todo o mundo. Esta decisão provocou défices de financiamento nos serviços de saúde de muitos países africanos de baixo rendimento.
O Libéria enfrenta várias dificuldades sanitárias, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), com taxas elevadas de mortalidade materna (742 por 100 000 nados-vivos) e neonatal, que afetam particularmente os jovens. A isto acresce a falta de acesso a medicamentos e fornecimentos essenciais, bem como desafios na gestão de doenças infeciosas como a tuberculose.
Contudo, o país registou progressos significativos no combate ao VIH/SIDA, à malária e às doenças tropicais negligenciadas, graças a iniciativas conduzidas pelo governo. Entre estas figuram um novo plano de investimento para a saúde sexual, reprodutiva, materna, neonatal, infantil e adolescente (SRMNCAH) e a melhoria dos serviços de cuidados pré-natais.
Lydie Mobio













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