A agência Fitch Ratings destaca a melhoria notável da situação macroeconómica do Gana, marcada por uma rápida redução da dívida, um reforço da consolidação orçamental e um aumento das reservas internacionais.
A Fitch Ratings elevou, na sexta-feira, 8 de maio, a notação soberana de longo prazo em moeda estrangeira do Gana de “B-” para “B”, com perspetiva positiva, saudando uma melhoria significativa dos fundamentos macroeconómicos do país. Esta notação avalia a capacidade de um Estado para reembolsar a sua dívida pública emitida em moeda estrangeira.
“Esta melhoria reflete uma forte redução do rácio dívida pública/PIB, sustentada por um crescimento robusto do PIB real, importantes esforços de consolidação orçamental, uma valorização da moeda e um aumento das reservas internacionais, o que reduz os riscos de liquidez externa”, explicou a Fitch.
A agência prevê que a dívida pública ganesa desça para 46% do PIB até 2027, contra uma mediana de 51% para os países classificados na categoria “B”. Em 2025, este rácio já recuou 21 pontos, impulsionado pelas reformas orçamentais e pela recuperação macroeconómica.
A Fitch destaca igualmente o reforço das reservas internacionais, alimentado pelos excedentes da conta corrente, pelo investimento direto estrangeiro e pelos financiamentos multilaterais. As reservas deverão atingir o equivalente a 4,8 meses de pagamentos externos em 2027, reduzindo ainda mais os riscos de liquidez externa.
Reestruturação da dívida e regresso gradual da confiança
A classificação surge numa altura em que o Gana prossegue a implementação do seu programa de reestruturação da dívida, o “Domestic Debt Exchange Programme” (DDEP). Neste contexto, o país concluiu vários acordos com os seus credores, incluindo o mais recente, assinado a 6 de maio com o U.S. Export-Import Bank, relativo à dívida soberana.
Em fevereiro, o governo ganês anunciou ter pago cerca de 910 milhões de dólares em juros no âmbito do DDEP. Uma etapa considerada importante para restaurar a confiança dos investidores e estabilizar o sistema financeiro, segundo o governo do Gana.
Impulsionada por exportações de ouro dinâmicas, a economia ganesa continua a apresentar importantes excedentes externos. O país deverá manter um excedente orçamental primário de 1,5% do PIB em 2026 e 2027, depois de ter atingido um nível recorde de 2,9% em 2025, segundo as projeções da agência de notação.
Paralelamente, a inflação, que caiu para 3,2% em março de 2026 — o nível mais baixo desde 1999 — deverá continuar a diminuir, enquanto o crescimento do PIB real deverá manter-se em torno de 5% até 2027.
“O Gana melhorou consideravelmente a gestão das suas finanças públicas, o que, na nossa opinião, reduz o risco de derrapagem orçamental a curto prazo”, sublinhou a Fitch, embora tenha destacado que o peso do serviço da dívida continua elevado, representando cerca de 20% das receitas públicas. Ainda assim, a agência considera que a acumulação de reservas e a melhoria do acesso ao mercado obrigacionista oferecem ao Gana margem de manobra suficiente para cumprir os seus compromissos financeiros.
Charlène N’dimon













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