Enquanto a comunidade científica internacional procura ainda colmatar lacunas cruciais da história humana, fósseis descobertos em Casablanca oferecem novos insights sobre antigas populações africanas e as suas trajetórias evolutivas.
O Ministério da Juventude, Cultura e Comunicação do Reino do Marrocos anunciou na sexta-feira, 9 de janeiro, que um estudo publicado na revista Nature analisou fósseis de hominíneos encontrados na Gruta dos Hominídeos, no sítio Thomas Quarry I, em Casablanca. Os vestígios incluem várias mandíbulas, dentes e vértebras, combinando traços arcaicos e características mais evoluídas, nunca antes documentadas com tanta precisão para este período da evolução humana.
O ministério especifica que estes fósseis provêm de um contexto estratigráfico sólido, validado por uma datação rigorosa baseada nos sedimentos circundantes.
Este trabalho insere-se no âmbito do programa científico “Pré-história de Casablanca”, uma colaboração entre instituições marroquinas e parceiros internacionais destinada a cartografar e datar com precisão os vestígios humanos da região. A equipa combinou escavações sistemáticas com análises paleomagnéticas para determinar a antiguidade dos fósseis. As características observadas indicam que estas antigas populações africanas já tinham iniciado trajetórias evolutivas distintas antes da divergência das linhas que conduziram aos humanos modernos e outros hominíneos.
Jean-Jacques Hublin, paleoantropólogo no Collège de France e no Instituto Max Planck e autor principal do estudo, citado pela Reuters, sublinha que é preciso cautela antes de classificar estes fósseis como “último antepassado comum”. No entanto, não exclui que possam estar próximos das populações a partir das quais Homo sapiens e as linhas eurasiáticas, Neandertal e Denisova, emergiram.
Estes fósseis preenchem uma lacuna importante no registo africano e permitem situar melhor as variações morfológicas das antigas populações quando os ancestrais de Homo sapiens se separaram dos seus parentes próximos. Complementam as descobertas de Jebel Irhoud, onde fósseis antigos de Homo sapiens foram identificados com datas mais antigas do que se previa, reforçando a ideia de uma origem profundamente africana do homem moderno. Além disso, algumas semelhanças com fósseis europeus antigos sugerem possíveis conexões entre populações do Norte de África e da Europa.
Este avanço surge num contexto em que os debates científicos sobre as origens do homem continuam acesos. Os fósseis de Casablanca juntam-se a um corpus crescente de provas que reposicionam o Norte de África como um foco-chave da evolução humana, complementar aos sítios do Leste e Sul de África.
Em agosto de 2025, investigadores anunciaram na Etiópia a descoberta de dentes fósseis com cerca de 2,65 milhões de anos, pertencentes a uma espécie de Australopithecus até então desconhecida e a uma forma antiga do género Homo. Estes dados somam-se a outras descobertas recentes, como a reconstrução digital, em dezembro de 2025, de um crânio de Homo erectus com cerca de 1,5 milhões de anos, revelando traços mais arcaicos do que se pensava e sublinhando a complexidade das trajetórias evolutivas humanas.
Félicien Houindo Lokossou













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