Esperada em Dakar para uma visita “introdutória”, Mercedes Vera Martin, nova chefe da missão do FMI para o Senegal, que supervisionou a reestruturação da dívida na Zâmbia, inicia um diálogo cauteloso, enquanto o endividamento, revelado em 132% do PIB, continua a bloquear qualquer acordo formal.
Um novo passo, sem avanços esperados. A recém-nomeada chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Senegal, Mercedes Vera Martin, deverá chegar a Dakar no início da próxima semana para uma visita de curta duração, qualificada pelo FMI como “introdutória”. Segundo um porta-voz do Fundo, não está previsto, neste estágio, nenhum ciclo de negociações substanciais.
Esta visita ocorre num contexto económico e financeiro tenso para o Senegal. No final de 2024, o FMI revelou que a dívida pública do país atingiu 132% do Produto Interno Bruto (PIB), após a descoberta, pelas novas autoridades, de vários milhares de milhões de dólares de empréstimos contraídos pela administração anterior, mas não declarados. A descoberta desta dívida oculta — estimada por alguns observadores em vários milhares de milhões de dólares não reportados — é considerada um caso sem precedentes na África Subsaariana, consequência de graves lacunas na transparência e gestão das finanças públicas. Isso levou a uma auditoria aprofundada e à revisão dos números oficiais da dívida, agora estimada em mais de 43 mil milhões de dólares, segundo dados internacionais recentes.
Esta situação levou o Fundo a suspender um programa de ajuda de 1,8 mil milhões de dólares, aguardando esclarecimentos completos sobre a amplitude e a estrutura real do endividamento. Desde esta suspensão, o Estado senegalês recorre principalmente ao mercado regional da UEMOA para cobrir as suas necessidades de financiamento, multiplicando a emissão de títulos e obrigações do Tesouro. Uma estratégia que, por enquanto, evita um recurso massivo aos mercados internacionais, mas que aumenta a pressão sobre a liquidez bancária regional e eleva progressivamente o custo do financiamento.
Mercedes Vera Martin será acompanhada pelo seu antecessor, Edward Gemayel. Os dois responsáveis deverão, entre outros encontros, reunir-se com dirigentes do Ministério das Finanças, “para discutir os desenvolvimentos macroeconómicos recentes e reforçar as bases de um diálogo futuro”. Segundo uma fonte próxima ao processo, o objetivo será sobretudo restabelecer um quadro de confiança e partilhar um plano de ação, sem entrar nos detalhes das condicionalidades de um futuro programa.
A Sra. Vera Martin chega a Dakar com uma experiência notável: entre 2023 e 2025, liderou a reestruturação da dívida da Zâmbia, uma das operações mais complexas recentemente conduzidas sob a égide do G20 e do Quadro Comum. Este percurso alimenta especulações, embora as autoridades senegalesas tenham, por várias vezes, excluído qualquer reestruturação da dívida. O Primeiro-Ministro senegalês, Ousmane Sonko, rejeitou publicamente qualquer ideia de reestruturação, considerando-a incompatível com a soberania económica do país, preferindo um acordo convencional com o FMI que evite medidas radicais que possam afetar o crescimento.
Do lado do governo, a posição permanece inalterada: Dakar deseja concluir “rapidamente” um novo programa com o FMI, para restaurar a credibilidade macroeconómica do país e garantir financiamentos de médio prazo. Mas o calendário continua incerto. Antes de qualquer retomada formal das discussões, o Fundo aguarda dados consolidados, auditados e exaustivos sobre a dívida pública — condição considerada imprescindível para encerrar o capítulo das dívidas ocultas.
Fiacre E. Kakpo













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