Mais de 80 países em Belém, Brasil, pedem um plano de ação para abandonar os combustíveis fósseis a ser adotado na COP30
A transição proposta enfrentará oposição, particularmente de produtores de combustíveis fósseis, como a Arábia Saudita, mas também potencialmente da Rússia, Bolívia e outros
O COP28 marcou um avanço importante ao reconhecer a necessidade de se afastar dos combustíveis fósseis nos sistemas de energia. Dois anos depois, a COP30 agora se concentra em como traduzir essa ambição em ações concretas.
Mais de 80 países reunidos em Belém, Brasil, pedem que um plano de ação para sair dos combustíveis fósseis seja adotado na COP30, de acordo com o jornal britânico The Guardian. Esses países acreditam que os objetivos climáticos permanecerão fora de alcance até que a dependência mundial do petróleo, gás e carvão diminua. O apelo foi apresentado pela enviada climática das Ilhas Marshall, apoiada por países da África, Ásia, América Latina e União Europeia.
Essa demanda encontrou eco na iniciativa da presidência brasileira da COP30, que apresentou na terça-feira, 18 de novembro, um texto provisório sugerindo a possível adoção de um plano de ação para abandonar os combustíveis fósseis. O Brasil deverá revisar o texto após coletar comentários e consultar todos os grupos de países durante as negociações.
Entretanto, The Guardian destaca que qualquer nova declaração sobre a transição para o abandono dos combustíveis fósseis pode enfrentar forte oposição, especialmente da Arábia Saudita, e possivelmente também da Rússia, Bolívia e outros países produtores.
Diante desse cenário, os apoiadores do plano de ação enfatizam que não se trata de impor uma única trajetória. Cada país avançaria de acordo com suas realidades nacionais, mas com um objetivo compartilhado. Eles também enfatizam que a transição permanecerá inatingível sem financiamento adequado e acesso mais amplo às tecnologias limpas - duas condições essenciais para tornar o exercício viável.
Esse problema é precisamente ilustrado pelo caso africano. O continente ainda dependia de 75% dos combustíveis fósseis para produzir sua eletricidade em 2023 e precisa atender a uma demanda crescente. Por outro lado, o financiamento para desenvolver alternativas tem sido lento, com o continente atraindo apenas uma parte marginal dos investimentos globais em energia renovável.
Abdoullah Diop













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