Chefes de Estado adotam declaração conjunta em 20º encontro do G20 na África do Sul, uma primeira na história do continente africano.
Declaração aborda conflitos, mudanças climáticas e dívida, destacando a cooperação multilateral como necessária para enfrentar desafios comuns.
A declaração ecoa em um contexto de rivalidades geopolíticas e geoeconômicas crescentes, de instabilidade, conflitos exacerbados e guerras e incerteza econômica global. O Grupo continua convencido de que a cooperação multilateral é necessária para enfrentar os desafios comuns.
Reunidos nos dias 22 e 23 de novembro de 2025, na África do Sul – um feito inédito no continente africano – para o 20º encontro do Grupo dos 20 (G20), os chefes de Estado adotaram uma declaração conjunta que destaca os conflitos, as mudanças climáticas e a dívida. A declaração enfatizou que solidariedade, equidade e sustentabilidade são pilares essenciais para um crescimento global inclusivo.
A adoção dessa declaração, geralmente reservada para a sessão de encerramento do encontro, marcou uma mudança de procedimento, depois de ser objeto de longas discussões, segundo o porta-voz do presidente sul-africano, Vincent Magwenya.
Neste documento de 30 páginas, os líderes conclamaram todos os países a se absterem de ameaçar ou utilizar força para adquirir território à custa da integridade territorial, da soberania ou da independência política de outro Estado.
Ele também indica que, orientados pelos objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas em sua totalidade, os líderes deverão trabalhar para uma paz justa, global e duradoura no Sudão, na República Democrática do Congo, nos territórios palestinos ocupados, na Ucrânia, bem como pelo fim dos outros conflitos e guerras ao redor do mundo. "Apenas na paz poderemos alcançar a sustentabilidade e a prosperidade", destaca o documento.
Ele também enfatiza a necessidade de dar atenção especial aos efeitos das mudanças climáticas, principalmente em países fortemente afetados por desastres e que não podem arcar com os custos relacionados à adaptação, à mitigação de riscos, à preparação e à recuperação. O texto especifica: "por isso, encorajamos a comunidade internacional, incluindo os doadores, instituições financeiras internacionais, bancos de desenvolvimento e o setor privado, a apoiar os esforços de recuperação pós-desastre, reconstrução, adaptação, mitigação de riscos, preparação e reabilitação".
Os líderes também reconheceram que o alto nível de endividamento é um dos obstáculos para um crescimento inclusivo em muitas economias em desenvolvimento e reafirmaram seu compromisso de apoiar os esforços dos países de baixa e média renda para lidar com as vulnerabilidades relacionadas à dívida de maneira eficaz, global e sistemática.
A adoção desta declaração conjunta foi realizada apesar do boicote dos Estados Unidos, devido a uma disputa diplomática com o país anfitrião. A declaração também vem em meio a rivalidades geopolíticas e geoeconômicas crescentes, instabilidades, conflitos exarcerbados e guerras, desigualdades profundas, incertezas econômicas globais e fragmentações.
Frente a este cenário, o G20 continua convencido de que a cooperação multilateral é necessária para enfrentar os desafios comuns.
Vale lembrar que o G20 é um fórum internacional que reúne as principais potências econômicas globais para coordenar suas políticas econômicas e financeiras. Seus membros representam 85% do PIB global, mais de 75% do comércio internacional e cerca de dois terços da população mundial.
Lydie Mobio













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