País saheliano sem acesso ao mar, o Mali apoia-se nas matérias-primas para sustentar a sua economia e atrair financiamento. No entanto, esta trajetória permanece regularmente exposta a episódios de insegurança, que continuam a pesar sobre a atividade e a perceção de risco.
No Mali, ataques coordenados visaram no sábado, 25 de abril de 2026, a capital Bamaco e várias outras localidades, atingindo instalações militares e zonas estratégicas. Segundo as autoridades, as forças de segurança foram mobilizadas para conter a ofensiva, que ocorre num momento em que o país tenta relançar uma economia fragilizada, ainda largamente dependente do ouro e do algodão.
Uma ofensiva reivindicada por grupos terroristas
De acordo com informações divulgadas pela Reuters e pela Bloomberg, explosões e tiros foram ouvidos desde as primeiras horas da manhã de sábado perto de Kati, uma cidade situada nas proximidades de Bamaco que alberga uma importante base militar. Outros ataques foram assinalados em localidades do centro e do norte do país.
O exército maliano indicou ter repelido o ataque e lançado operações de varrimento nas zonas afetadas. Afirma ter neutralizado «várias centenas» de atacantes. As autoridades referiram ainda pelo menos dezasseis feridos e garantiram que a situação estava sob controlo, ao mesmo tempo que impuseram recolher obrigatório em algumas cidades. Estes números ainda não foram confirmados por fontes independentes.
Os ataques foram reivindicados pelo Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), um grupo afiliado à Al-Qaeda ativo na região do Sahel. Num comunicado divulgado por serviços de monitorização especializados, o grupo afirma ter visado vários alvos, incluindo instalações militares em Kati, o aeroporto de Bamaco, bem como localidades mais a norte, como Mopti, Sévaré e Gao. Rebeldes tuaregues da Frente de Libertação do Azawad também reivindicaram a tomada de posições em algumas zonas.
Em Bamaco, habitantes relataram fumo e explosões nas proximidades do aeroporto, enquanto tiros foram ouvidos durante várias horas em certos bairros. O aeroporto foi temporariamente encerrado e várias companhias aéreas cancelaram os seus voos, enquanto embaixadas estrangeiras apelaram aos seus cidadãos para permanecerem confinados.
Vários meios de comunicação internacionais referem ainda que o ministro da Defesa, Sadio Camara, terá sido morto durante o ataque, uma informação que não foi oficialmente confirmada.
«Isto parece ser o ataque coordenado mais significativo dos últimos anos», declarou à Reuters Ulf Laessing, responsável pelo programa Sahel na fundação alemã Konrad Adenauer.
Um momento decisivo para a economia
Esta ofensiva surge num momento em que a economia maliana procura estabilidade após um abrandamento em 2025, ligado a uma diminuição da produção de ouro (principal fonte de divisas do país), a perturbações no abastecimento de combustível e a dificuldades nos domínios da segurança e da ajuda humanitária.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um crescimento económico de cerca de 5,5% em 2026, contra 4,1% no ano anterior. Esta previsão baseia-se, entre outros fatores, numa melhoria da situação de segurança e numa recuperação esperada da produção de ouro, após a resolução de um litígio entre o Estado maliano e o grupo Barrick em torno da maior mina de ouro do país.
Para além do setor mineiro, que inclui também uma indústria emergente de lítio, o Mali aposta igualmente na agricultura, nomeadamente no algodão, o seu segundo produto de exportação. As autoridades indicaram querer aumentar a produção em mais de 50% na próxima campanha. Este setor continua, contudo, a enfrentar constrangimentos relacionados com o clima, os insumos e a insegurança em certas zonas rurais. Desde o pico de 777.000 toneladas atingido em 2021/2022, a produção não voltou a ultrapassar a marca das 700.000 toneladas, uma irregularidade que, segundo várias fontes, contribuiu para que o Mali perdesse o lugar de principal produtor africano a favor do Benim.
Equilíbrios económicos sob vigilância
Embora seja difícil, nesta fase, antecipar as eventuais consequências dos ataques de 25 de abril, vários parâmetros serão acompanhados de perto nos próximos dias e semanas pelos agentes económicos e financeiros.
O primeiro diz respeito à continuidade das atividades nos setores-chave, em particular o ouro. A dependência do país das suas exportações auríferas faz com que qualquer perturbação na produção ou na logística em torno dos locais mineiros tenha repercussões para além do setor extrativo.
A circulação de bens e pessoas constitui outro ponto de atenção. Os ataques visaram zonas próximas da capital, mas também cidades situadas em eixos estratégicos. Ora, a economia maliana assenta em grande medida nesses fluxos, quer se trate do transporte de combustível, de insumos agrícolas ou de exportações. Perturbações prolongadas nesses corredores podem dificultar o cumprimento dos objetivos agrícolas.
Por outro lado, a capacidade das autoridades malianas para preservar a confiança dos investidores será um elemento importante, numa altura em que o país tem vindo a envidar esforços para manter o défice dentro das normas da UEMOA e procura mobilizar 2,6 mil milhões de dólares no mercado regional para financiar o seu orçamento em 2026.
Louis-Nino Kansoun













Londres - Royaume-Uni - Sommet réunissant l'écosystème tech africain et les investisseurs internationaux à Londres.