A nomeação para o poderoso Ministério da Economia e da Supervisão Estratégica marca o regresso dos tecnocratas à linha da frente de um governo remodelado, num contexto de recomposição econômica e social. Trata-se do primeiro governo da Quinta República no Togo, esperado há cinco meses após a investidura do presidente do Conselho.
No Togo, o presidente do Conselho, Faure Gnassingbé, nomeou, na quarta-feira, 8 de outubro de 2025, Badanam Patoki (na foto) — até então presidente da Autoridade dos Mercados Financeiros da UEMOA (AMF-UEMOA) — como ministro da Economia e da Supervisão Estratégica. Uma nomeação amplamente elogiada nos meios financeiros, que reflete a vontade do chefe de Estado de apostar em perfis tecnocráticos para consolidar a trajetória econômica do país.
Uma reorganização das pastas econômicas
Badanam Patoki sucede a Essowè Georges Barcola, que até então ocupava o cargo de ministro da Economia e das Finanças. A pasta foi dividida em duas: por um lado, Finanças e Orçamento, que permanecem sob a responsabilidade de Barcola, e por outro, Economia e Supervisão Estratégica, confiada agora a Patoki.
Essa reorganização ocorre num momento em que o governo procura antecipar melhor os choques macroeconômicos e reforçar a planificação. O novo ministério será encarregado de coordenar a estratégia econômica nacional, antecipar riscos macroeconômicos e garantir a coerência entre crescimento, endividamento e planeamento do desenvolvimento.
Mas o escopo vai muito além disso. Verdadeiro “mega-ministério” econômico, ele reúne sob sua autoridade três ministros delegados: Manuela Modukpe Santos, responsável pela Promoção de Investimentos, Indústria e Soberania Econômica; Robert Kofi Mensah Eklo, encarregado da Energia e dos Recursos Minerais; e Kossi Tenou, ex-diretor nacional da BCEAO, agora à frente da pasta do Comércio e do Controle de Qualidade.
Essas áreas estratégicas colocam Badanam Patoki no centro da política econômica nacional, entre a atração industrial, a transição energética e a regulação do mercado interno.
Um percurso marcado pela disciplina e pela excelência financeira
Com 61 anos, Patoki é uma das figuras mais respeitadas do setor financeiro da África Ocidental. “É um homem de uma rigorosidade exemplar, exigente, mas justo. Quando considera que uma decisão carece de seriedade, não hesita em bater na mesa”, comenta um gestor de ativos baseado em Lomé.
Formado pela Universidade de Poitiers e pelo COFEB em Dakar, iniciou a carreira na administração togolesa antes de ingressar, em 1996, no Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO). Ali, galgou posições até tornar-se diretor-geral do Tesouro e da Contabilidade Pública do Togo entre 2005 e 2010. “Sua passagem foi marcada por um esforço contínuo de estabilização das finanças públicas e de modernização do Tesouro, num contexto fiscal exigente”, recorda um alto funcionário do ministério.
Depois de regressar à BCEAO em 2011, ocupou os cargos de adjunto do diretor das Relações Internacionais e, posteriormente, adjunto do diretor do COFEB, antes de se tornar, em 2016, diretor-adjunto da UMOA-Titres, onde reforçou a gestão dos mercados obrigacionistas regionais.
Dois anos mais tarde, voltou a Lomé como secretário-geral do Ministério da Economia e das Finanças, até ser nomeado, em 2021, presidente da AMF-UEMOA, a autoridade de regulação do mercado financeiro regional.
Um perfil de consenso e eficácia
À frente da AMF-UEMOA, Badanam Patoki destacou-se pelo pragmatismo. Sob sua liderança, a instituição reforçou a supervisão dos atores do mercado, promoveu a transparência e incentivou o desenvolvimento de instrumentos financeiros inovadores, como obrigações verdes e operações de titularização.
Nos círculos econômicos, é descrito como um homem discreto, metódico e respeitado, capaz de conciliar as exigências das instituições regionais com as prioridades nacionais.
Um contexto de fortes expectativas sociais
À frente do novo ministério, Patoki herda uma missão crucial: pensar o crescimento de amanhã sem negligenciar as urgências do presente.
O Togo mantém, há vários anos, uma taxa de crescimento em torno de 6%, ainda muito dependente do gasto público, segundo o Banco Mundial. Seu desafio será acelerar a transformação estrutural, estimular o investimento privado e alinhar melhor o planeamento econômico com a política industrial.
O contexto, contudo, permanece tenso. A inflação continua a corroer o poder de compra, as demandas sociais aumentam, e o desemprego juvenil segue preocupante. Nas zonas rurais, a pobreza ainda afeta grande parte da população. Patoki terá de combinar planejamento e ação concreta, apoiando cadeias de valor locais, a criação de empregos produtivos e a resiliência da economia diante dos choques externos.
Homem de método e equilíbrio, o novo “mega-ministro” da Economia surge como um dos pilares do governo recém-formado, incumbido de dar corpo à promessa de um Togo mais competitivo, mais soberano e melhor preparado para as incertezas do futuro, num momento em que as reivindicações sociais se intensificam.
Fiacre E. Kakpo













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