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Camarões: a Sosucam aumenta a sua capacidade açucareira com uma unidade moderna de 4,5 milhões de dólares

Camarões: a Sosucam aumenta a sua capacidade açucareira com uma unidade moderna de 4,5 milhões de dólares
Sexta-feira, 1 de Maio de 2026

Nos Camarões, a fileira do açúcar emprega milhares de pessoas, sobretudo nas plantações e nas fábricas da Sosucam. A empresa prossegue o seu crescimento com a entrada em funcionamento de uma nova unidade.

A Société sucrière du Cameroun (Sosucam) investiu 2,5 mil milhões de FCFA (cerca de 4,5 milhões de dólares) numa nova unidade de produção de açúcar em cubos no seu site de Nkoteng, uma localidade situada na região do Centro, segundo informações recolhidas pelo Investir au Cameroun. Financiado com recursos próprios, o projeto foi iniciado há mais de dois anos. A nova instalação já entrou em funcionamento, confirmou um alto responsável da filial do grupo Castel.

Com uma capacidade de produção de 100 toneladas por dia, esta unidade deverá permitir à empresa reforçar a sua oferta no segmento do açúcar transformado. Substitui a antiga instalação de Mbandjock, que se tornou menos adequada às exigências técnicas atuais.

Com este investimento, a Sosucam procura melhorar a qualidade da sua produção e modernizar os seus processos industriais. Segundo fontes internas, a empresa pretende igualmente consolidar a sua posição no mercado nacional, num contexto marcado pela evolução da procura e pelo aumento da concorrência em alguns segmentos.

Esta nova capacidade poderá assim permitir ao produtor responder melhor à procura das famílias e dos industriais, ao mesmo tempo que reforça a sua presença no mercado local.

Uma fileira em recomposição

O investimento realizado em Nkoteng insere-se numa perspetiva de recomposição do mercado camaronesa do açúcar. Vários operadores procuram, de facto, aumentar as suas capacidades de produção num mercado estruturalmente deficitário.

É o caso da Wega Food. Com sede na zona industrial de Douala, a empresa prevê elevar a sua capacidade de produção para 700 toneladas por dia graças a uma expansão em fase final.

Esta dinâmica reflete a vontade dos operadores presentes no mercado de reforçar a oferta nacional. No lançamento da campanha 2025/2026, a Sosucam já descrevia um ambiente internacional desfavorável, marcado, segundo a empresa, pelas políticas de apoio implementadas por grandes produtores como o Brasil e a Índia.

Segundo a empresa, estas subvenções contribuiriam para manter os preços mundiais em níveis artificialmente baixos, alimentando nos Camarões as reivindicações dos importadores a favor de uma maior abertura do mercado. Neste contexto, a Sosucam defendia a continuidade regulatória para evitar o que considera ser uma desregulação prejudicial à produção local.

Um mercado local sob tensão

As tensões no mercado interno permanecem, contudo, elevadas. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INS), os Camarões exportaram 8.047 toneladas de açúcar em 2025, contra 512 toneladas em 2024.

Este aumento ocorre, no entanto, num contexto de défice estrutural do mercado local. Com uma produção anual geralmente entre 120.000 e 160.000 toneladas, a Sosucam cobre apenas uma parte de uma procura nacional estimada em cerca de 300.000 toneladas. Este desequilíbrio leva regularmente as autoridades públicas a autorizar importações para garantir o abastecimento do mercado.

Nestas condições, o aumento das exportações levanta menos questões sobre a competitividade internacional da fileira do que sobre a natureza dos fluxos comerciais. Pode refletir arbitragens pontuais em direção a mercados vizinhos mais remuneradores, mais do que uma presença duradoura do açúcar camaronesa no mercado internacional.

Contactado pelo Investir au Cameroun, um interveniente do setor estima que estes volumes poderão corresponder, pelo menos em parte, a reexportações para países vizinhos. Uma hipótese que ainda não foi oficialmente confirmada.

Esta tensão não é nova. Em 2022, as autoridades camaronesas suspenderam as exportações de vários produtos de primeira necessidade, incluindo o açúcar, para a República Centro-Africana. O objetivo era limitar as saídas para mercados externos mais lucrativos, numa altura em que já se registavam tensões de abastecimento no mercado local.

Amina Malloum (Investir au Cameroun)

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