A China constitui o maior mercado agroalimentar do mundo. Nos últimos anos, o seu peso aumentou no comércio internacional de várias matérias-primas, incluindo a soja.
Na China, a prioridade é agora a promoção da autonomia alimentar. Segundo o mais recente relatório sobre as perspetivas agrícolas publicado pelo Ministério da Agricultura, Pequim pretende reduzir, até 2035, as suas compras de soja para 82,55 milhões de toneladas. De acordo com os dados divulgados pela Reuters, esse nível representaria uma queda de cerca de 26% em relação ao pico de 111,83 milhões de toneladas atingido em 2025.
No segundo país mais populoso do mundo, que já procura reduzir em 6,1% as importações de soja este ano, esta medida faz parte de um objetivo mais amplo de diminuição da dependência de compras externas de produtos de base, através da aceleração dos esforços para melhorar a produtividade.
Segundo o documento, as importações chinesas de cereais passariam de 140,56 milhões de toneladas em 2025 para 115 milhões de toneladas em 2035, enquanto a produção interna deverá atingir 753 milhões de toneladas, contra 715 milhões no ano passado.
Perante este anúncio, alguns analistas mantêm-se cautelosos. Não é a primeira vez que a China manifesta ambições de reduzir as suas compras de soja. Já em janeiro de 2022, o país tinha indicado que projetava uma produção de 23 milhões de toneladas da oleaginosa até 2025, para reduzir as importações. No entanto, dados recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que a produção ainda não ultrapassou os 21 milhões de toneladas.
O fim de uma era?
Enquanto se aguardam mais detalhes sobre a estratégia do governo, alguns observadores sublinham que estas previsões, caso se concretizem, poderão marcar o fim de uma era no mercado mundial da soja. Durante mais de duas décadas, a dinâmica excecional das importações chinesas impulsionou fortemente o setor.
No país que possui o maior efetivo suíno do mundo, a forte procura da indústria pecuária por farelo proteico foi o principal motor do crescimento da produção e das exportações. O consumo, impulsionado pela recuperação dos efetivos após a crise da peste suína africana (agosto de 2018), criou condições favoráveis para o Brasil, que converteu vastas áreas de pastagens em cultivo de soja.
A produção mundial da oleaginosa ultrapassa agora os 420 milhões de toneladas por ano, mais de 100 milhões acima de 2015/2016, segundo dados do USDA. Neste contexto, o Brasil tornou-se o principal ator do comércio mundial, controlando mais de 40% das exportações globais e ultrapassando os Estados Unidos como principal fornecedor da China. Esta expansão reorganizou profundamente as cadeias de valor internacionais, com investimentos em portos, ferrovias, silos e unidades de transformação na América do Sul para responder à procura asiática.
Importa notar que estas novas projeções chinesas contrastam com as “Perspetivas Agrícolas 2025-2034” publicadas pela OCDE e pela FAO em julho de 2025. Estas estimavam que as importações chinesas se manteriam relativamente estáveis, em torno de 107 milhões de toneladas em 2034, representando cerca de 60% das importações mundiais de soja.
Espoir Olodo













Meknès - Durabilité de la production animale et souveraineté alimentaire