Num contexto em que os ciberataques se multiplicam e ameaçam empresas e instituições, proteger os dados deixou de ser opcional. A vigilância face às ameaças digitais condiciona a confiança e a continuidade das atividades.
O aumento recente de ataques informáticos relembra que a cibersegurança é uma questão estratégica global. Em África, tal como no Ocidente, instituições e empresas viram os seus sistemas paralisados por ransomwares sofisticados ou intrusões direcionadas, provocando interrupções em serviços essenciais. No Reino Unido, o ataque que afetou o Kensington and Chelsea Council no final de novembro de 2025 perturbou vários serviços administrativos, apesar de serem considerados robustos.
No continente africano, os números são igualmente preocupantes. O Marrocos registou mais de 20,7 milhões de tentativas de ataque entre janeiro e junho de 2025, figurando entre os principais alvos de ataques cibernéticos direcionados a pequenas e médias empresas. Mais amplamente, uma organização africana sofre em média 2 902 ataques por semana, com picos nos setores das telecomunicações, finanças e serviços públicos. Na Nigéria, empresas locais registaram 4 388 ataques semanais no primeiro trimestre de 2025, um aumento de 47% face ao ano anterior.
Neste contexto, o papel do analista de cibersegurança torna-se central. Este profissional monitoriza sistemas, detecta anomalias, reage a incidentes e corrige vulnerabilidades. Graças a ele, uma empresa ou administração limita o impacto dos ataques, protege dados sensíveis e preserva a confiança de clientes e utilizadores.
A procura global por esta profissão continua a crescer. A flexibilidade e a remuneração atraem cada vez mais candidatos. Em França, um analista iniciante ganha geralmente entre 44 300 e 52 500 dólares por ano, com valores mais elevados dependendo da localização. Na África do Sul, um cargo equivalente oferece entre 41 100 e 121 200 dólares anuais.
Como aceder a esta profissão em África
As oportunidades para jovens africanos multiplicam-se. Universidades e escolas especializadas reforçam os seus programas, embora a oferta continue desigual consoante o país. Surgem novos cursos em politécnicos, escolas privadas ou academias criadas em parceria com grandes empresas tecnológicas. O Africa Cybersecurity Resource Centre (ACRC) participa ativamente nesta dinâmica, formando competências locais e ajudando os Estados a estruturar capacidades de defesa.
Alguns países destacam-se particularmente. O Ruanda lançou o centro de excelência CyberHub para formar talentos e apoiar a sua ambição de se tornar líder regional em cibersegurança. A Nigéria desenvolve o ecossistema através do ngCERT e de programas universitários cada vez mais especializados.
O ensino online constitui outra via muito apreciada, especialmente para quem está afastado das grandes capitais. Plataformas como a Cisco Networking Academy ou a Coursera permitem adquirir bases de redes, criptografia e gestão de incidentes. Estas formações dão também acesso a certificações reconhecidas, como CompTIA Security+ ou Certified Cybersecurity (ISC²).
A comunidade desempenha um papel fundamental na entrada na profissão. Em muitas cidades africanas, meetups, workshops práticos e competições CTF (Capture the Flag) criam um terreno ideal de treino. Redes como a Africacert ou eventos do Cyber Africa Forum oferecem oportunidades de conhecer profissionais, testar competências e conquistar as primeiras missões.
Félicien Houindo Lokossou













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