Desde 2018 que o site de Bipaga abastece o mercado camarones de gás doméstico. Em 2023, a sua produção permitiu ao Estado realizar poupanças significativas.
Em 2023, a produção local de gás de petróleo liquefeito (GPL) em Bipaga, no Sul, contribuiu para reduzir a fatura externa do Camarões. Segundo o relatório anual da SNH consultado pelo Investir no Camarões, os volumes processados no site permitiram evitar 25,596 milhões de dólares em importações, cerca de 14 mil milhões de FCFA em saídas de divisas. Uma contribuição ainda mais relevante num contexto em que a sub-região enfrenta tensões nas reservas cambiais: desde 2023, o Banco dos Estados da África Central (BEAC) observa uma erosão progressiva das reservas da Comunidade Económica e Monetária da África Central (CEMAC).
Subsídio ao GPL: poupanças de 2,236 mil milhões FCFA para o Tesouro
O aumento da produção em Bipaga também teve impacto nas finanças públicas. De acordo com o mesmo relatório, a produção local gerou 2,236 mil milhões de FCFA em poupanças sobre o subsídio concedido ao GPL. Estes ganhos devem-se à disponibilidade das instalações, cujo índice atingiu 98,41 % ao longo do ano, com operações suspensas apenas durante uma semana para manutenção preventiva.
Em detalhe, Bipaga forneceu 34 699 toneladas de GPL em 2023, contra 28 677 toneladas no ano anterior, representando um crescimento de 20,99 %. Trata-se da segunda melhor performance do site desde o seu início em 2018. A SNH explica este desempenho pela melhoria do processo de tratamento do gás proveniente dos novos poços, que permitiu aumentar os volumes sem incidentes significativos.
Um mercado ainda dependente das importações (83,32 %), apesar da contribuição local em crescimento
O mercado nacional de GPL continua dominado pelas importações (83,32 %). De um abastecimento total de 208 083 toneladas (+14,14 %), Bipaga cobriu apenas 16,68 % das necessidades — e 20,47 % se excluirmos os volumes exportados para o Chade. O consumo doméstico atingiu 170 220 toneladas, um aumento de 7,29 %, confirmando uma procura sustentada que continua a exceder largamente a capacidade de produção local.
A diferença entre o abastecimento total e o consumo explica-se, em parte, pelas 37 863 toneladas exportadas para a sub-região, mercado em que o Camarões permanece um fornecedor ativo. Apesar dos progressos registados em Bipaga, a maior parte do GPL consumido continua a provir do exterior, expondo o país às flutuações internacionais e à pressão persistente sobre as divisas. A trajetória de Bipaga sugere, no entanto, uma progressão da capacidade. Para a SNH, o desafio é consolidar os ganhos operacionais e acelerar a valorização do gás local.
Amina Malloum (Investir no Camarões)













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