De acordo com dados oficiais, as start-ups marroquinas levantaram cerca de 94,96 milhões de dólares em 2024, contra 33,26 milhões em 2023 e 26,2 milhões em 2022. As autoridades visam atingir aproximadamente 763,6 milhões de dólares em captações até 2030.
Na semana passada, o governo marroquino revelou a sua intenção de investir 1,3 mil milhões de dirhams (142 milhões USD) para apoiar start-ups nacionais. Esta iniciativa, inserida na estratégia nacional de transformação digital, surge no seguimento de uma série de ações intensificadas nos últimos meses para acelerar o desenvolvimento do ecossistema nacional.
O envelope financeiro foi anunciado durante a sessão de encerramento da conferência «Digital Now 2025», organizada pelo Clube de Líderes e realizada em Casablanca de 10 a 12 de dezembro, pela Ministra da Transição Digital e da Reforma Administrativa, Amal El Fallah-Seghrouchni. A ministra precisou que 750 milhões de dirhams serão dedicados a programas de criação de empresas, 450 milhões de dirhams a capital de risco, e 70 milhões de dirhams à rede Technopark, principal hub tecnológico e empreendedor do país.
A ministra confirmou que estes programas visam criar 1.000 start-ups até 2026 e 3.000 até 2030, com foco na integração da digitalização em zonas rurais e no lançamento dos institutos «Al-Jazri» para apoiar os sistemas de inovação a nível regional.
Redes, fundos e incubadoras no centro da estratégia
A 4 de dezembro, o Technopark e a Renew Capital, um dos investidores pan-africanos mais ativos no financiamento de start-ups, anunciaram uma parceria. A Renew Capital comprometeu-se a apoiar start-ups marroquinas e norte-africanas na sua expansão para os mercados da África subsariana, conectando simultaneamente as instituições marroquinas às oportunidades emergentes nos ecossistemas mais dinâmicos do continente.
O governo marroquino já tinha assinado, a 19 de novembro, um acordo de parceria com o Keiretsu Forum MENA, considerado uma das maiores redes globais de investidores privados da Silicon Valley. Esta iniciativa visa sobretudo atrair mais investidores internacionais para o ecossistema de start-ups do país.
Entretanto, no final de novembro, o governo anunciou o lançamento de um mecanismo dedicado ao apoio a fundos de investimento especializados em start-ups. Este instrumento pretende incentivar a criação e financiamento de fundos orientados para jovens empresas inovadoras, ao mesmo tempo que reduz os riscos assumidos pelos investidores privados.
Na sua estratégia «Digital Marrocos 2030», o país pretende criar um ambiente mais favorável às start-ups, combinando reformas regulatórias, reforço do financiamento e melhoria do acesso aos mercados. O plano prevê, entre outros pontos, a criação de um selo dedicado, mecanismos de financiamento para todas as fases de desenvolvimento, apoio reforçado através de incubadoras locais e internacionais, bem como maior abertura à contratação pública e aos mercados externos.
Ambições elevadas, apesar de desafios estruturais persistentes
O país pretende levantar 2 mil milhões de dirhams para start-ups até 2026 e 7 mil milhões de dirhams até 2030. O objetivo é ainda contar com 10 start-ups de elevado crescimento (“gazelas”) até 2026 e uma a duas “unicórnios” até 2030. Mais amplamente, Marrocos ambiciona tornar-se um produtor importante de soluções digitais, com uma contribuição estimada da economia digital de 100 mil milhões de dirhams para o PIB nacional em 2030.
No entanto, um relatório da Universidade Mohammed VI Politécnica (UM6P), publicado em junho de 2025, destacou vários desafios estruturais que persistem no ecossistema nacional. Entre eles, a falta de financiamento em fases avançadas (Series A/B), insuficientes vias de saída para investidores, bem como desequilíbrios regionais e de género.
Isaac K. Kassouwi













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