O governo marroquino fechou um acordo de parceria com a Keiretsu Forum MENA, uma das maiores redes globais de investidores privados do Vale do Silício.
O país visa arrecadar 2 bilhões de dirhams (cerca de US$ 215,5 milhões) em capital para start-ups até 2026, e 7 bilhões de dirhams até 2030, de acordo com a estratégia "Digital Marrocos 2030".
Na estratégia "Digital Marrocos 2030", o país busca tornar-se um hub digital para acelerar o desenvolvimento social e econômico até 2030. O objetivo principal para atingir esse objetivo é desenvolver um ecossistema local de start-ups com foco internacional.
O governo marroquino assinou na quarta-feira, 19 de novembro de 2025, um acordo de parceria com o Keiretsu Forum MENA, uma das maiores redes de investidores privados do mundo, originária do Vale do Silício. Essa iniciativa visa atrair investidores, à medida que o país tem como alvo a captação de 2 bilhões de dirhams (aproximadamente US$ 215,5 milhões) para start-ups até 2026, e 7 bilhões de dirhams até 2030, conforme acordado na estratégia "Digital Marrocos 2030".
Durante sua apresentação, Amal El Fallah-Seghrouchni, Vice-Ministra da Transição Digital e da Reforma da Administração, destacou que essa parceria estratégica representa um marco importante para reforçar a ligação entre as start-ups marroquinas e os investidores internacionais. Ela lembrou que essa parceria acompanha a ascensão da economia digital nacional, impulsiona a geração de valor e apoia a inclusão de empreendedores marroquinos nos ecossistemas globais.
Como parte da estratégia nacional de transformação digital, o reino planeja uma série de medidas destinadas a energizar o ecossistema de start-ups. O foco principal é estabelecer uma política nacional dedicada, implementar um rótulo "start-up", facilitar a internacionalização e aumentar os limites das contas em moeda estrangeira. O financiamento será aumentado em todas as etapas, por meio de bolsas de estudo e incubação, empréstimos honorários e de lançamento, além de uma política atraente para investidores de capital de risco.
O país também deseja melhorar o suporte, atraindo incubadoras internacionais, fortalecendo estruturas locais e criando programas especializados para setores como fintech, edtech, healthtech e govtech. Por fim, o acesso aos mercados será facilitado pela preferência nacional por produtos "Made in Morocco", uma maior abertura ao setor público e esforços de promoção internacional.
No final das contas, o Marrocos pretende ter 3.000 start-ups marroquinas rotuladas até 2026 e outras 3.000 até 2030, em comparação com 380 em 2022. O país também pretende ter 10 start-ups de alto crescimento (conhecidas como "gazelas") até 2026 e 1 a 2 unicórnios até 2030. Mais geralmente, aspira se tornar um grande produtor de soluções digitais, com contribuição da economia digital de 100 bilhões de dirhams para o PIB nacional até 2030.
É importante lembrar, as start-ups marroquinas levantaram aproximadamente US$ 94,96 milhões em 2024, contra US$ 33,26 milhões em 2023 e US$ 26,2 milhões em 2022, segundo "The 2024 Morocco Startup Ecosystem Report" da Universidade Mohammed VI Polytechnic (UM6P). Em 2024, o país ficou em 6º lugar na África em termos de fundos levantados. No entanto, desafios estruturais como falta de financiamento em estágios avançados (Series A/B), insuficiência de saídas para investidores, bem como desequilíbrios regionais e de gênero foram notados.
Para apoiar o crescimento do ecossistema marroquino de start-ups, o relatório recomendou fortalecer o financiamento em estágios avançados atraindo fundos internacionais e consolidando os fundos locais capazes de facilitar a escala. O país também deve potencializar as saídas, em especial via fusões e aquisições, a fim de alimentar um ciclo de reinvestimento. O apoio ao empreendedorismo feminino precisa ser ampliado para aproveitar melhor um potencial ainda subfinanciado. Além disso, o Marrocos se beneficiaria ao posicionar-se de forma mais enérgica nos setores emergentes como a IA, a climatetech e a deeptech, ao mesmo tempo que se integra ainda mais às redes tecnológicas africanas.
Isaac K. Kassouwi













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