Os países da África Ocidental e Central demonstram vontade de retomar controle sobre seus dados sensíveis, objetivo é ter 40% desses dados hospedados em centros regionais até 2028.
A "Declaração de Cotonou" também planeja a implementação de pontos de troca de internet regionais para proteger o tráfego africano, além da adoção de estruturas harmonizadas de cibersegurança, proteção de dados e governança de IA.
Em Cotonou, os países da África Ocidental e Central estão decididos a recuperar o controle sobre seus dados sensíveis: até 2028, 40% deles deverão ser armazenados em centros regionais, um marco apresentado como essencial para estabelecer uma verdadeira soberania digital em face aos gigantes estrangeiros.
Na semana passada, os países da África Ocidental e do Centro adotaram uma declaração conjunta, a "Declaração de Cotonou", cujo uma das principais metas é repatriar 40% dos dados governamentais críticos para data centers locais, uma vez que a maioria ainda é armazenada na Europa ou nos Estados Unidos. De acordo com o Banco Mundial, a África representa atualmente menos de 1% da capacidade global de armazenamento e processamento de dados, um nível considerado insuficiente, dado o crescimento das identidades digitais, registros sociais e serviços públicos online.
A Declaração também prevê a implementação de pontos de troca de internet regionais para proteger o tráfego africano, além da adoção de estruturas harmonizadas de cibersegurança, proteção de dados e governança de IA, como condições necessárias para um armazenamento transfronteiriço de dados públicos. Até 2028, deverão estar em funcionamento três centros regionais de excelência em IA.
Segundo Sangbu Kim, vice-presidente do Banco Mundial para a área digital, 85% da capacidade global de processamento está concentrada em países de alta renda.
Embora diversos países já possuam seus próprios data centers, públicos e privados, a taxa de utilização ainda é baixa. Uma grande parte dos dados públicos - tributação, saúde, identidade, mercados - ainda é armazenada em cloud estrangeira, enquanto empresas, incluindo bancos e fintechs, ainda privilegiam seus próprios servidores ou data centers fora do continente.
A demanda local continua limitada: aplicações que exigem alto poder de processamento (IA, analytics, e-governo, EdTech, HealthTech) têm dificuldade para emergir, e muitos agentes ainda não percebem o benefício da cloud local. A isso se acrescentam a falta de harmonização regional, os altos custos de energia e os data centers por vezes não certificados ou pouco conhecidos. O resultado: infraestruturas existentes, mas frequentemente sub-utilizadas, por falta de um mercado integrado capaz de explorar plenamente seu potencial.
A Declaração propõe também a criação de um mecanismo de financiamento regional para apoiar as infraestruturas de dados e um roteiro técnico esperado nos próximos meses. O rápido aumento do volume de dados públicos - identidade digital, e-governo, saúde, pagamentos - reforça a urgência de infraestruturas locais confiáveis e seguras. A Declaração estabelece ainda o objetivo de fornecer pelo menos 50% dos cidadãos com uma identidade digital segura até 2028, um desenvolvimento que aumentará ainda mais a quantidade de dados sensíveis a serem armazenados localmente.
Fiacre E. Kakpo













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