Com um valor global das transações em ações atingindo 274,4 bilhões de FCFA, o mercado financeiro da UEMOA confirma uma mudança de dimensão. Esse desempenho, em alta de 56,4% em relação a 2024, supera os volumes acumulados registrados em vários exercícios da década anterior (2014 a 2019), confirmando que a praça de Abidjan deixa o status de mercado de rendimento para se tornar um verdadeiro polo de intercâmbio de produtos financeiros.
O fato mais marcante desta safra de 2025 reside na desconcentração dos fluxos. Embora a Sonatel, peso pesado da região, mantenha sua liderança, sua dominação relativa se reduz em favor de uma animação mais difusa do mercado. Em 2024, a subsidiária senegalesa do grupo Orange ainda concentrava 35,5% do valor total das transações; em 2025, essa participação caiu para 21,7%. Essa mutação beneficia novas locomotivas.
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A grande surpresa vem da Filtisac CI: impulsionada por movimentos estratégicos, a empresa do portfólio do IPS (Aga Khan) alcançou a segunda posição entre os valores mais negociados, com 17,6 bilhões de FCFA em títulos trocando de mãos, contra apenas 1,2 bilhão no ano anterior.
Essa dinâmica coletiva é sinal da resiliência dos investidores diante dos ventos contrários. Apesar das incertezas ligadas à Aliança dos Estados do Sahel (AES) e de um poder de compra das famílias sob pressão, a BRVM se impôs como um santuário de valor. Essa confiança se baseia em fundamentos sólidos: em 2024, as empresas listadas geraram um faturamento acumulado de 9.404 bilhões de FCFA e um lucro líquido de 1.374 bilhões de FCFA. Em contrapartida, recompensaram seus acionistas com uma chuva de dividendos que alcançou 632 bilhões de FCFA, um nível nunca atingido desde a criação da bolsa.
A estabilidade do franco CFA
Ao comparar os desempenhos, o retorno bruto do índice BRVM Composite pode parecer inferior à explosão do índice nigeriano (+56%). No entanto, a análise muda de perspectiva quando convertida em moedas fortes.
Impulsionada pela estabilidade do franco CFA em relação ao euro, a BRVM oferece um retorno ajustado ao risco cambial que supera a maioria das praças emergentes, transformando a “serenidade” de Abidjan em uma rentabilidade real superior para os gestores de fundos internacionais.
O horizonte de 2026 anuncia-se sob os mesmos auspícios, com indicadores de rentabilidade claramente melhorados. Ao final do terceiro trimestre de 2025, as empresas já exibiam um lucro líquido acumulado de 1.219 bilhões de FCFA. Mais significativo ainda, a margem líquida média passou de 14,5% para 16% em apenas um ano.
Se essa eficiência operacional se mantiver e as políticas de distribuição continuarem generosas, os investidores poderão esperar uma nova colheita recorde de dividendos, reforçando ainda mais a atratividade de um mercado que parece instalado de forma duradoura em seus níveis mais altos.
Idriss Linge













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