Com projetos-chave como Mahenge, Nachu e Epanko, a Tanzânia posiciona-se como um dos futuros fornecedores estratégicos de grafite em África. Um potencial que atrai novos investidores, apesar da queda prolongada dos preços deste mineral estratégico para a transição energética.
Na Tanzânia, a Volt Resources anunciou a assinatura de uma carta de intenções vinculativa com o fundo de investimento Unbounded Opportunities Fund SPC (UOF) para o desenvolvimento do projeto de grafite Bunyu. Segundo a nota divulgada na quarta-feira, 10 de dezembro, ambas as partes planeiam colaborar para levar esta futura mina à fase de produção, apesar da persistente fraqueza dos preços do mineral.
De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), os preços do grafite recuaram 20% ao longo de 2024, num contexto de excesso de oferta e redução da procura. Uma tendência que se mantém este ano. Segundo a ChemAnalyst, o índice de preços do grafite registou uma queda trimestral de 2,7% nos Estados Unidos no terceiro trimestre. É neste contexto que o UOF pretende posicionar-se no Bunyu, através de um investimento de capital de 11,1 milhões USD, que lhe dará 62% do capital do projeto, contra 38% da Volt Resources.
Neste quadro, o UOF ficará responsável por preparar um estudo de viabilidade atualizado para Bunyu e gerir a finalização dos contratos mineiros, bem como a supervisão da construção e das operações. Por sua vez, a Volt Resources, que até agora controlava este ativo, encarregar-se-á de assegurar o financiamento do projeto. Ambas as partes ainda discutem os termos finais do acordo para o concluir.
“Trata-se de um passo importante para a Volt, que encontrou um parceiro de peso para fornecer capital próprio, bem como apoio em termos de custos e gestão de projeto, de modo a facilitar o desenvolvimento do projeto de grafite de Bunyu. Para superar as dificuldades de financiamento relacionadas com a relativa fraqueza dos preços do grafite, o UOF está confiante em conseguir aumentar os níveis anuais de produção de concentrado, otimizando simultaneamente os investimentos e reduzindo os custos operacionais […]”, declarou Asimwe Kabunga, presidente executivo da Volt Resources.
Com este investimento, o UOF pretende participar no desenvolvimento de um novo ativo de exploração de grafite, num contexto em que se prevê uma recuperação da procura devido às necessidades ligadas à transição energética global. Segundo a AIE, a procura mundial deverá mais do que duplicar, ultrapassando os 10 milhões de toneladas até 2040, contra 4,7 milhões de toneladas em 2024. Uma situação que poderá estimular uma recuperação dos preços globais.
Importa notar que o novo estudo de viabilidade previsto para Bunyu tem como objetivo descrever uma mina com capacidade anual de 40.000 toneladas de concentrado, num investimento de 37 milhões USD. Para já, não foi anunciada qualquer data para a finalização do acordo de parceria entre a Volt e o UOF. Entretanto, é importante lembrar que Bunyu não é o único projeto de grafite em desenvolvimento na Tanzânia. O país acolhe também projetos de maior envergadura, como Nachu (Magnis Energy), Mahenge (Black Rock Mining) e Epanko (EcoGraf).
Aurel Sèdjro Houenou













Toronto - "The World’s Premier Mineral Exploration & Mining Convention"