A criação de corredores transfronteiriços na África Ocidental reflete a vontade dos Estados de reduzirem os custos logísticos e reforçarem a integração regional. A Guiné dá agora um novo passo nesta dinâmica, com a garantia de financiamento de um eixo estratégico em direção ao Senegal.
Na Guiné, foi promulgado no sábado, 13 de junho, um decreto presidencial que ratifica o acordo-quadro e o acordo de mandato concluídos com o Banco Islâmico de Desenvolvimento (BID). Esta decisão permite finalizar as disposições relativas ao financiamento do projeto de corredor rodoviário regional que liga a Guiné ao Senegal.
Os acordos abrangem nomeadamente o financiamento do troço Mali–Gadaloudjé, com 53 km de extensão. Aprovado pela BID em junho de 2025, o apoio financeiro, no montante de 140 milhões de euros (cerca de 162,5 milhões de dólares), destina-se à reabilitação e pavimentação desta secção em via 2x1 faixa, em conformidade com as normas da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).
Esta ratificação marca uma etapa decisiva na estruturação financeira deste corredor transfronteiriço de 107 km. Complementa o financiamento já mobilizado junto do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), que tinha aprovado em novembro de 2024 um empréstimo de 80,93 milhões de dólares em favor da Guiné e do Senegal para a reabilitação do eixo Labé–Mali–Kédougou–Fongolembi.
A execução do projeto ficará a cargo da AGEROUTE Guiné SA. Segundo as autoridades, a infraestrutura deverá contribuir para reforçar a integração regional, facilitar as trocas comerciais entre a Guiné e o Senegal e apoiar o desenvolvimento socioeconómico das localidades abrangidas pelo projeto, nomeadamente na Média Guiné (Fouta-Djalon).
A médio prazo, o corredor deverá também melhorar a conectividade sub-regional, oferecendo aos operadores malianos uma nova opção de acesso ao porto de Conacri. Esta ligação virá complementar as rotas existentes do corredor Dakar–Bamaco, através da região senegalesa de Kédougou, reforçando assim a resiliência logística das trocas no espaço da África Ocidental.
No entanto, a concretização dos resultados esperados dependerá de vários fatores, nomeadamente a manutenção de recursos suficientes para a conservação da infraestrutura, bem como a fluidez dos procedimentos nas fronteiras. Fatores determinantes para garantir a competitividade e a sustentabilidade do corredor.
Henoc Dossa













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