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Em África, novos projetos surgem para reforçar a produção de alumina

Em África, novos projetos surgem para reforçar a produção de alumina
Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2025

Apesar de um elevado potencial em bauxita, a África ainda possui uma capacidade reduzida de refinação deste minério. Uma situação que, até agora, limita os seus benefícios numa cadeia de valor acrescentado elevado, como a alumina, cujo mercado se prevê em forte crescimento até 2030.

Na sexta-feira, 12 de dezembro, o Estado guineense anunciou o início das obras de construção de uma refinaria de alumina em Boké, com um custo superior a 1,2 mil milhões de USD, em parceria com o Winning Consortium Alumina Guinea (WCAG). Este desenvolvimento insere-se numa tendência mais ampla de projetos semelhantes a nível africano, onde as capacidades de produção de alumina permanecem limitadas, apesar do elevado potencial em bauxita.

Guiné, Camarões, Gana: um movimento conjunto…

Este paradoxo é bem evidenciado no relatório “A Dozen Critical Minerals for Africa’s Growth and Development” do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). Publicado em novembro de 2025, o documento sublinha que, embora o continente detenha 29 % das reservas mundiais de bauxita, ainda possui menos de 1 % das capacidades mundiais de refinação de alumina (produto derivado da transformação da bauxita e intermediário do alumínio). A Guiné tem procurado mudar esta situação nos últimos anos, incentivando os produtores a instalar refinarias no seu território.

Assim, antes do lançamento da refinaria liderada pela WCAG, o maior produtor mundial de bauxita já tinha iniciado, em março passado, a construção de outra unidade de alumina em Boffa. Com um custo de 1,03 mil milhões de USD, este projeto, desenvolvido pelo grupo chinês State Power Investment Corporation (SPIC), deverá atingir, a longo prazo, uma capacidade anual de 1,2 milhões de toneladas de alumina, equivalente ao volume previsto pela WCAG.

A australiana Canyon Resources, que desenvolve o projeto de bauxita Minim Martap nos Camarões, pretende também integrar esta dinâmica. A empresa anunciou, em outubro, o início de um estudo de viabilidade para o desenvolvimento de uma refinaria destinada a maximizar o valor do ativo mineiro. A conclusão do estudo está prevista para o terceiro trimestre de 2026.

Paralelamente, o Gana também demonstra ambição em valorizar melhor a sua bauxita, com o desenvolvimento de pelo menos duas refinarias, para uma capacidade combinada estimada entre 4 e 6 milhões de toneladas de alumina. Já foram assinados acordos nesse sentido, nomeadamente com a empresa grega Mytilineos SA.

Aproveitar um mercado mais atrativo

É importante notar que várias questões rodeiam estas iniciativas. Caso se concretizem, poderão reforçar as capacidades africanas de refinação de bauxita, permitindo aos países anfitriões e aos promotores posicionarem-se num mercado de alumina mais atrativo. A título de exemplo, na Bolsa de Metais de Londres, a alumina para entrega em janeiro estava cotada a 311 USD por tonelada, no domingo 14 de dezembro, contra 81,5 USD por tonelada de bauxita no Shanghai Metals Market.

Estas dinâmicas inserem-se também num contexto de forte aumento esperado do consumo mundial de alumínio nos próximos anos. Segundo um relatório publicado em 2022 pelo International Aluminium Institute (IAI), será necessário produzir 33,3 milhões de toneladas adicionais de alumínio para satisfazer a crescente procura de todos os setores industriais. Esta evolução poderá, por consequência, estimular as necessidades em alumina, cujo mercado é projetado em 67 mil milhões de USD até 2032, contra 42 mil milhões de USD em 2024, segundo a empresa de investigação Verified Market Research.

No entanto, existem poucos elementos que permitam avaliar concretamente a contribuição futura destes projetos para as capacidades africanas de refinação de alumina. Além disso, é importante destacar que a valorização da bauxita exige um fornecimento energético fiável e eficiente, enquanto cerca de 600 milhões de pessoas continuam sem acesso à eletricidade no continente. Segundo o Atlantic Council, a extração de bauxita consome cerca de 34 kWh por tonelada métrica, contra mais de 3 000 kWh para a sua refinação em alumínio.

Aurel Sèdjro Houenou

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