Apesar do seu peso significativo nas emissões de gases com efeito de estufa, o carvão continua a ser um pilar da produção mundial de eletricidade, influenciando persistentemente as escolhas energéticas dos Estados.
A procura mundial de carvão, a principal fonte de emissões de dióxido de carbono ligadas à produção de energia a nível global, voltou a aumentar. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o consumo mundial de carvão deverá situar-se este ano em cerca de 8,85 mil milhões de toneladas. A procura global mantém-se, assim, em níveis historicamente elevados pelo terceiro ano consecutivo.
Informações divulgadas na quarta-feira, 17 de dezembro, pela imprensa internacional, citando as últimas projeções da Agência, indicam que o carvão ainda representa cerca de um terço da produção elétrica mundial, à frente do gás natural e da energia hidroelétrica, apesar do crescimento das energias renováveis e dos compromissos de vários Estados para reduzir o uso de combustíveis fósseis.
Este aumento deve-se a uma procura elétrica ainda elevada e à manutenção em funcionamento das capacidades existentes. Em várias grandes economias, as centrais a carvão continuam a ser mobilizadas para satisfazer as necessidades básicas do sistema elétrico. A Agência sublinha também que a procura continua a ser impulsionada por usos industriais.
O carvão permanece um pilar do sistema elétrico em muitos países, sobretudo na Ásia, mas esta dinâmica esconde situações contrastantes, consoante as grandes economias consumidoras. Na China, maior consumidor mundial, a procura é descrita como globalmente estável em 2025, mas em níveis historicamente elevados.
Na Índia, o consumo diminuiu pontualmente este ano devido a uma produção hidroelétrica mais abundante ligada a uma monção favorável, mantendo-se, contudo, estruturalmente elevado. Nos Estados Unidos, a procura aumentou devido aos elevados preços do gás natural, tornando o carvão mais competitivo para a produção de eletricidade, segundo dados da Agência.
O carvão beneficia, além disso, de infraestruturas existentes, cadeias de abastecimento consolidadas e, em muitos grandes consumidores, de recursos domésticos abundantes.
Além disso, o crescimento da procura mundial de eletricidade, impulsionado pela industrialização, urbanização e aumento dos usos digitais, continua a superar o ritmo de expansão das capacidades de baixa emissão de carbono e das redes elétricas associadas.
A AIE antecipa, no entanto, uma estabilização da procura mundial de carvão nos próximos anos, antes de um declínio gradual a partir de 2030. Esta projeção baseia-se na expansão esperada das energias renováveis, da energia nuclear e na melhoria da eficiência energética, no âmbito das políticas energéticas atualmente anunciadas.
Abdel-Latif Boureima













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