O Nigéria, com um potencial de energia renovável estimado próximo a 300 GW para energia solar, inicia a construção de uma indústria em torno da energia solar fora da rede.
A Salpha Energy, uma empresa nigeriana, já distribuiu mais de 2 milhões de sistemas solares desde 2017 e afirma poder produzir até 300 mil unidades por ano.
Segundo múltiplos estudos, a Nigéria dispõe de um potencial de energia renovável estimado em cerca de 300 GW para energia solar, aproximadamente 27 GW para energia hidrelétrica, sem falar em vários gigawatts de energia eólica em áreas propícias. No entanto, esse potencial tem sido subutilizado.
Na Nigéria, o setor de energia solar agora inclui capacidades de montagem local para abastecer o mercado de soluções fora da rede. Essa dinâmica é particularmente evidente em Calabar (Estado de Cross River), onde a empresa nigeriana Salpha Energy opera uma unidade de montagem de baterias, lâmpadas e kits solares projetados para residências e pequenas empresas.
Informações divulgadas na segunda-feira, 17 de novembro, pelo The Japan Times, que cita números fornecidos pela Salpha Energy, confirmam que a empresa distribuiu mais de 2 milhões de sistemas solares desde 2017. A unidade conta com uma linha de montagem completa, que inclui montagem, controle de qualidade, embalagem e logística.
A empresa afirma ser capaz de produzir até 300 mil unidades por ano. A distribuição desses equipamentos é realizada em vários estados, ajudando a estruturar um segmento industrial em formação.
O desenvolvimento dessas capacidades surge em um contexto em que o sistema elétrico nigeriano continua sendo dominado em grande parte por gás natural. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o gás foi responsável por 77,2% da produção de eletricidade do país em 2023, contra 22,2% de energia hidrelétrica e apenas 0,5% de energia solar fotovoltaica.
Apesar do exemplo da Salpha Energy, as capacidades locais ainda são limitadas diante de uma demanda significante por equipamentos fora da rede. O mercado ainda é amplamente estruturado pelas importações de painéis e componentes, que continuam sendo essenciais para o abastecimento do país.
Abdel-Latif Boureima













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