Enquanto a produção de eletricidade deverá recuperar com a subida do nível de água na barragem de Kariba, a melhoria das perspetivas da economia da Zâmbia resulta sobretudo do aumento do consumo das famílias e da produção de cobre.
O crescimento do PIB real da Zâmbia deverá atingir 6,1% em 2026, contra uma estimativa de 4,4% para 2025, graças, entre outros fatores, ao aumento da produção de cobre e à diminuição das pressões inflacionistas, estima a Fitch Solutions num relatório publicado na sexta-feira, 6 de março. A taxa de crescimento prevista para este ano deverá ser amplamente superior à média de 3,4% registada durante a década 2015-2024.
Duas principais dinâmicas deverão favorecer esta melhoria económica. A primeira é a atenuação dos fatores adversos que travavam o consumo das famílias. Em fevereiro de 2026, o índice de preços no consumidor caiu para 7,5% em termos anuais, o nível mais baixo desde junho de 2018. É a primeira vez desde abril de 2019 que a inflação se situa dentro da faixa-alvo de 6% a 8% definida pelo banco central. Esta redução da inflação deverá incentivar os decisores a flexibilizar ainda mais a política monetária. A taxa diretora da Bank of Zambia deverá situar-se em 11,75% até ao final de 2026, contra 13,50% atualmente.
Por outro lado, a melhoria do nível de água na barragem hidroelétrica de Kariba, que tinha caído para níveis historicamente baixos em 2024 devido a uma seca prolongada provocada pelo fenómeno climático El Niño, deixa antever uma recuperação da produção de eletricidade. Isto deverá reduzir os cortes de energia e apoiar a atividade económica.
Riscos de queda ligados à guerra no Médio Oriente e ao clima
O segundo motor do crescimento económico deverá ser o aumento da produção de cobre. A Fitch Solutions prevê um aumento de 10% da produção do metal vermelho na Zâmbia em 2026, enquanto os preços mundiais deverão permanecer elevados, com uma média de 11 900 USD por tonelada, ou seja, uma subida de 19,6% em relação a 2025.
Isto deverá estimular não só os volumes de exportação e as receitas em divisas, mas também favorecer o aumento dos fluxos de investimento, com grandes empresas mineiras estrangeiras a competir para aproveitar o ambiente operacional favorável do país e as suas importantes reservas de cobre. A liberalização de outros setores, nomeadamente o da energia, deverá também favorecer os investimentos, dado que a Zâmbia possui um grande potencial na produção de energia solar.
A Fitch Solutions observa, no entanto, que a guerra que opõe os Estados Unidos e Israel ao Irão poderá pesar sobre as perspetivas de crescimento da economia zambiana este ano. Isto deve-se, em particular, ao estatuto de importador líquido de energia do país da África Austral e ao risco de perturbações no fornecimento de insumos essenciais para a extração de cobre, como o enxofre. Outro risco de queda poderá resultar de uma eventual diminuição das precipitações, que perturbaria a produção agrícola e a recuperação da produção hidroelétrica.
Walid Kéfi













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