Na sua Estratégia de Gestão da Dívida a Médio Prazo, o Governo ugandês defende uma abordagem que visa preservar a sustentabilidade da dívida, ao mesmo tempo que financia as prioridades de desenvolvimento, através de um reequilíbrio progressivo a favor do recurso ao endividamento externo.
No final de dezembro de 2025, a dívida pública total do Uganda ascendia a 34,86 mil milhões de dólares, correspondendo a um rácio dívida/PIB de 53%.
O montante em dívida é composto por 15,84 mil milhões de dólares de dívida externa e 19,02 mil milhões de dólares de dívida interna. Estes números constam dos documentos de apresentação do Orçamento para 2026/2027 publicados pelo Ministério das Finanças.
Este rácio aumentou face aos 52,1% registados um ano antes. Ainda assim, as autoridades ugandesas consideram que este nível de endividamento deve ser avaliado à luz dos investimentos realizados e dos benefícios económicos esperados.
«Ao longo dos últimos dez anos, o endividamento do Uganda permitiu financiar investimentos estratégicos que estão a transformar a capacidade produtiva da nossa economia», afirmou o Ministério.
Os financiamentos foram direcionados principalmente para infraestruturas integradas de transporte, que absorveram 31,1% dos recursos mobilizados, seguidas pelas infraestruturas elétricas, pelo setor da água, pela agroindustrialização, pelas infraestruturas de educação e saúde, bem como pela habitação e pelo desenvolvimento urbano. Os parques industriais, as infraestruturas digitais, a ciência, a tecnologia e os projetos de desenvolvimento regional também beneficiaram dos recursos obtidos através do endividamento.
Uma estratégia que privilegia os empréstimos externos
Na sua Estratégia de Gestão da Dívida a Médio Prazo (MTDS) para o exercício de 2026/2027 e anos subsequentes, o Governo ugandês pretende reduzir gradualmente a proporção do financiamento interno, atualmente estimada em 62%, e aumentar a dos empréstimos externos, que representam 38%. Segundo as autoridades, esta opção visa manter a dívida num nível sustentável, diversificar as fontes de financiamento e limitar os riscos associados aos custos e ao refinanciamento.
Para o exercício de 2026/2027, as necessidades brutas de financiamento são estimadas em 34,58 biliões de xelins ugandeses (9,4 mil milhões de dólares). Estas necessidades serão cobertas em 65% por endividamento interno e em 35% por empréstimos externos.
O Executivo afirma que, apesar do aumento do stock da dívida, a dívida pública continua a ser sustentável a médio e longo prazo.
Charlène N’dimon













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