O país, que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do continente, tem dificuldade em pôr fim aos distúrbios de segurança e às divisões institucionais que minam os esforços de relançamento da economia desde a queda do regime de Muammar Kadhafi, em 2011.
O Banco Central da Líbia (CBL) anunciou, no domingo, 18 de janeiro, uma desvalorização de 14,7% da moeda nacional, numa tentativa de estabilizar a economia num contexto marcado pelo aumento das despesas dos dois executivos que partilham o poder no país e pela queda dos preços do petróleo no mercado internacional.
A taxa de câmbio oficial passou assim para 6,37 dinares líbios por dólar, contra 5,43 unidades por dólar anteriormente. Trata-se da segunda desvalorização do dinar líbio em menos de um ano. Um ajustamento de 13,3% já tinha ocorrido em abril de 2025, fazendo subir a taxa de câmbio oficial para 5,56 dinares por dólar.
O objetivo da nova desvalorização é contrariar as distorções no mercado cambial. No mercado paralelo, a taxa de câmbio ultrapassa a fasquia dos 9 dinares por dólar desde segunda-feira, 12 de janeiro.
O Banco Central da Líbia explicou a nova desvalorização pela «persistente ausência de um orçamento nacional unificado, o crescimento insustentável das despesas públicas dos dois governos sediados no Leste e no Oeste do país, a duplicação contínua das despesas fora dos quadros financeiros oficiais e as divisões políticas persistentes, com repercussões negativas na situação económica».
A instituição emissora justificou igualmente a sua decisão pelas variáveis económicas internacionais, em particular a queda dos preços do petróleo no mercado internacional e o consequente recuo das receitas petrolíferas.
A Líbia vive uma profunda instabilidade política e de segurança desde a queda do regime de Muammar Kadhafi em 2011. Dois governos disputam o poder há vários anos neste país do Norte de África. Dirigido por Abdelhamid Dbeibah, o primeiro executivo está sediado em Tripoli (oeste) e é reconhecido pela comunidade internacional. O segundo, com sede em Benghazi (leste), é apoiado pelo marechal Khalifa Haftar, que controla vastas zonas do território líbio, nomeadamente graças ao apoio de várias potências estrangeiras, incluindo a Rússia e os Emirados Árabes Unidos.
A Líbia, que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do continente (cerca de 48 mil milhões de barris), enfrenta igualmente grandes dificuldades em manter fluxos de receitas constantes num contexto de flutuações da produção e dos preços dos hidrocarbonetos, que representam cerca de 60% do PIB, 90% das receitas orçamentais e 95% do valor das exportações.
Walid Kéfi













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