Facebook Agence Ecofin Twitter Agence Ecofin LinkedIn Agence Ecofin
Instagram Agence Ecofin Youtube Agence Ecofin Tik Tok Agence Ecofin WhatsApp Agence Ecofin

A história de amor complicada entre a australiana BHP e o setor mineiro africano

A história de amor complicada entre a australiana BHP e o setor mineiro africano
Sábado, 26 de Julho de 2025

Mais uma união fracassada? Ao retirar-se do projeto Kabanga, na Tanzânia, o gigante australiano mostra mais uma vez sua dificuldade em se ancorar de forma duradoura na África. A cessão de sua participação minoritária indireta nesse projeto de níquel soma-se a duas décadas de avanços seguidos de retiradas do setor mineiro africano. Retrato de uma relação feita de impulsos e desilusões no continente.

Primeiras incursões e primeiros fracassos

Antes de seu renovado interesse pelos recursos minerais africanos nos últimos anos, a BHP já atuava no continente desde os anos 1990. Em 1994, a empresa associou-se à Delta Gold para desenvolver a jazida de platina Hartley, no Zimbábue. Porém, em 1999, anunciou a venda de sua participação de 67% no projeto. Segundo John Grubb, chefe da filial local da BHP, foram investidos 585 milhões de dólares no depósito, mas o retorno obtido foi de apenas 40 milhões.

“Apesar dos consideráveis esforços da BHP e da Zimbabwe Platinum Mines e do apoio positivo do governo em todas as etapas do desenvolvimento de Hartley, não foi possível superar as dificuldades operacionais e financeiras”, explicou então.

Aversão ao risco?

Nos anos 2000, a BHP volta a marcar presença na África com a fusão com a Billiton, concluída em 2001. Durante mais de uma década, a BHP Billiton manteve um forte ancoramento no continente, com fundições na África do Sul e em Moçambique, além de minas de carvão e manganês na África do Sul. Entre 2001 e 2014, o valor da ação multiplicou-se por 8. Mas, em 2015, uma cisão transfere a maioria dos ativos africanos para a nova empresa South32.

Paralelamente, a BHP já havia renunciado ao projeto Tenke Fungurume, na RDC, vendido sua participação em diamantes em Angola (2009), minerais de titânio em Moçambique e, em 2013, retirou-se também de sua participação na Samancor (manganês) no Gabão. O projeto de refinaria de bauxita em Sangaredi, na Guiné, iniciado em 2007, também foi abandonado. Em 2019, foi a vez do minério de ferro de Nimba, também na Guiné.

Essas retiradas revelam, de fato, uma aversão ao risco dentro do grupo australiano. O então diretor Andrew Mackenzie já afirmava em 2013: “Nossa decisão de nos concentrar na OCDE foi deliberada e, ouso dizer, cada vez mais parece a escolha certa”.

Um retorno tímido

Com Mike Henry à frente desde 2020, a BHP reabre cautelosamente a porta da África. A transição energética aumenta o interesse pelo cobre e pelo níquel, enquanto uma melhora percebida no ambiente de negócios oferece algumas oportunidades.

Assim, em 2022, o grupo investe 40 milhões de dólares no projeto de níquel Kabanga, na Tanzânia, dobrando sua participação para 17,8% em 2023 e adquirindo uma opção de até 60,7%. Paralelamente, lança o acelerador BHP Xplor, que apoia empresas juniores de mineração no Botswana.

Em 2024, a ambição cresce: a BHP oferece até 49 bilhões de dólares pela Anglo American, visando sobretudo seus ativos de cobre na América Latina, mas que implicaria também um retorno mais forte à África. A proposta fracassou diante da recusa dos acionistas.

Que futuro para a BHP na África?

Após o fracasso com a Anglo, a BHP vendeu em 2025 sua participação de 17% em Kabanga para a Lifezone Metals, por até 83 milhões de dólares. A justificativa foi a queda do preço do níquel, provocada pela superoferta da Indonésia.

Apesar desse revés, a empresa não abandonou totalmente suas ambições africanas. O Botswana continua no radar, mas os grandes depósitos de cobre estão na RDC, o 2º maior produtor mundial, e em países como a Zâmbia e a Namíbia.

A África concentra 30% das reservas mundiais de minerais críticos. Para o maior grupo mineiro listado em bolsa no mundo, afastar-se definitivamente do continente significaria perder um terço do campo de batalha onde se decide a corrida pelos metais da transição energética.

Emiliano Tossou

MAIS LIDOS
01

Dos 50 países africanos analisados, 27 registaram uma melhoria da sua situação em matéria de paz nos…

Classificação de 2026 dos países africanos mais pacíficos (Institute for Economics & Peace)
02

Num contexto de crescimento demográfico, expansão do acesso à eletricidade e aumento das necessidade…

Angola prevê aumentar a sua produção elétrica em 40% até 2027.
03

Tal como a maioria dos tubérculos cultivados em África, a batata desempenha um papel estratégico na …

Os 6 principais produtores de batata em África
04

Na África do Sul, apesar da concorrência dos gigantes MTN e Vodacom, o operador histórico continua a…

África do Sul: Telkom paga 34 milhões de dólares em dividendos ao Estado, em alta face ao ano anterior

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

DEPARTAMENTO COMERCIAL
regie@agenceecofin.com 
Tel: +41 22 301 96 11
Cel: +41 78 699 13 72

Mídia kit : Link para download
REDAÇÃO
redaction@agenceecofin.com


Mais informações :
Equipe
Editora
AGÊNCIA ECOFIN

Mediamania Sarl
Rue du Léman, 6
1201 Genebra – Suíça
Tel: +41 22 301 96 11

 

A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

Please publish modules in offcanvas position.