Perante um sistema de ensino técnico e profissional que continua a ter dificuldades em produzir competências adequadas às necessidades do mercado de trabalho, a Guiné está a implementar uma peça fundamental que faltava há muito tempo na sua reforma educativa.
O governo guineense está empenhado em garantir a aplicação efetiva das suas reformas pedagógicas no terreno. Na quarta-feira, 10 de junho, o ministro da Educação Nacional, da Alfabetização, do Ensino Técnico e da Formação Profissional, Alpha Bacar Barry, lançou em Conacri a formação de 100 inspetores disciplinares. Estes formandos foram selecionados entre 216 candidatos. A sua missão será dominar a engenharia da Abordagem por Competências (APC), metodologia destinada a estruturar os currículos técnicos guineenses.
A iniciativa pretende colmatar uma lacuna há muito identificada. Desde a introdução da reforma APC, não existia qualquer corpo de inspetores especializados. Ninguém verificava a aplicação efetiva dos novos programas nos estabelecimentos de ensino. Na ausência deste elo fundamental, as reformas curriculares permaneciam apenas como textos oficiais, sem garantia de execução. É precisamente esta falha que Conacri procura agora corrigir.
O programa foi confiado ao gabinete marroquino Ingénierie de Formation, Professionnalisme et Expertise (IFPE). Esta entidade trabalhará durante cinco meses em colaboração com a Inspeção-Geral do Ensino e Formação Técnica e Profissional (EFTP). A formação abrangerá a supervisão pedagógica, o controlo de qualidade dos cursos e o acompanhamento das reformas setoriais.
Inspetores ao serviço de uma reforma já atrasada
A formação surge após vários anos de reformas incompletas. Em dezembro de 2025, a Guiné validou cinco cursos concebidos segundo o modelo APC. Estes integram o Programa de Apoio à Inserção e ao Emprego Digno através da Formação Profissional (PAIED-FP).
Cofinanciado pela União Europeia, França e Alemanha, este programa é implementado pela GIZ, pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e pela Enabel. Os currículos já existem e os estabelecimentos de ensino deveriam aplicá-los. No entanto, sem um corpo de inspeção formado na abordagem APC, a sua implementação nunca pôde ser devidamente avaliada. É precisamente este défice que a iniciativa pretende corrigir.
Segundo dados oficiais, mais de 40% dos diplomados guineenses continuam desempregados um ano após a conclusão dos estudos. Esta taxa evidencia uma inadequação persistente entre a formação ministrada e as expectativas dos empregadores. A reforma APC é apresentada como a resposta a este problema. Contudo, a sua eficácia depende da aplicação concreta nos estabelecimentos de ensino, algo que até agora não estava garantido.
A Guiné aprovou igualmente, em julho de 2025, uma Estratégia Nacional de Aprendizagem Profissional de Qualidade para o período 2026-2030. Esta estratégia visa profissionalizar a aprendizagem tradicional e desenvolver sistemas de formação em alternância com as empresas. Os 100 inspetores são apresentados como os primeiros garantes operacionais desta estratégia. Resta verificar se o seu destacamento será efetivamente concretizado após os cinco meses de formação.
Importa recordar que o Programa Simandou 2040 está a exercer uma pressão crescente sobre o sistema de formação guineense. O projeto exige milhares de técnicos qualificados para os setores mineiro, ferroviário e logístico. Contudo, as micro, pequenas e médias empresas (MPME) da Guiné continuam a ter dificuldades em integrar-se nas cadeias de valor. O relatório SADEN de junho de 2026 destacou precisamente esta deficiência.
Félicien Houindo Lokossou













Paris - France - L'un des plus grands rendez-vous mondiaux de la tech et de l'innovation.